A comédia a olhar para o romance

Os textos que escreveu para o seu blogue The Sheila Variations valeram-lhe o convite de Bill Teck para integrar o cast de entrevistados em One Day Since Yesterday: Peter Bogdanovich & The Lost American Film de Bill Teck.

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Sheila O’Malley conhecia A Última Sessão, Lua de Papel, What’s up Doc. Lera Who the Hell's in It: Conversations with Hollywood's Legendary Actors e Who The Devil Made it: Conversations with Legendary Directors, livros de Bogdanovich que para ela foram uma “escola de cinema”. Fazem dele um homem de estatura “incontornável” na forma como explicitou a sua ligação aos mestres do passado, que entrevistara.

Sheila não vira They All Laughed, mas “respirava” tudo o que lera, tudo o que sabia. Viu-o em DVD, na edição comemorativa dos 25 anos do filme que foi editada em 2005, aquela em que Wes Anderson entrevista Bogdanovich. Está a par do “bad feeling” que emanara do filme depois do assassinato de Dorotthy Stratten. Mas esse negrume não é coisa para ela. O que lhe interessa é a forma como “a screwball comedy olha para o romance. Há ali um coração partido, é claro. É um filme agridoce, comovente.” Entusiasma-se: o classical set up da sequência de abertura, com o helicóptero que traz Audrey Hepburn (escalpeliza a sequência nos textos que escreveu para o blogue The Sheila Variations, que lhe valeram o convite de Bill Teck para integrar o <i>cast</i> de entrevistados no documentário); o rosto de Ben Gazarra - Bill Teck conseguiu entrevistar o actor (1930-2012) pouco tempo antes de este morrer); a Nova Iorque que já desapareceu. “Não vivo em Nova Iorque, mas trabalho em Nova Iorque e aquela cidade já desapareceu.”

Caso paradigmático: como a cinefilia que se espraia nos blogues, “onde não há a pressão de se escrever sobre a actualidade, sobre o novo título” que acabou de chegar aos ecrãs, tem o tempo e o espaço do mundo para declarar o seu amor a um filme. E comunicá-lo democraticamente, a todos. Antes, ninguém sabia uns dos outros. “Agora estamos aqui, eu em Nova Iorque, você em Portugal” por causa de They All Laughed. A Última Sessão, concorda, é um filme mais impositivo, Romance em Nova Iorque está menos protegido, está mais nu.

PÚBLICO -
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A edição em DVD comemorativa dos 25 anos do filme