Líder do CDS-Porto acusa novo director do Rivoli de "ignorância" e "arrogância"

Álvaro Castello-Branco, ex-vice de Rui Rio, mostrou-se agastado com as críticas de Tiago Guedes à anterior gestão do teatro.

Tiago Guedes disse que, com o novo Rivoli, o Porto "vai passar do oito ao oitenta"
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Tiago Guedes disse que, com o novo Rivoli, o Porto "vai passar do oito ao oitenta" Pedro Granadeiro/NFactos

O líder da distrital do CDS-Porto acusou esta quarta-feira de "arrogância" e "ignorância" o recém-nomeado director artístico do Teatro Municipal Rivoli, Tiago Guedes, por este fazer "considerações políticas" enquanto trabalhador "avençado da Câmara Municipal do Porto".

 "[O CDS] fica preocupado porque pelos vistos há um avençado da Câmara Municipal do Porto que quer ter opinião política", afirmou à Lusa Álvaro Castello-Branco, também ex-vice-presidente da autarquia, referindo-se às afirmações que Tiago Guedes proferiu no passado domingo em entrevista ao jornal Público.

O novo director artístico do Teatro do Campo Alegre e do Rivoli disse que este último "não tem sido bem cuidado" e foi deixado "em muito mau estado pelo Filipe La Féria" e criticou a "inexistência de uma política cultural" na cidade nos últimos anos.

"Não consigo compreender e acho inacreditável que alguém que é avençado da câmara, com uma prestação de serviços para fazer determinado trabalho, venha fazer declarações dessas perante equipas e vereadores que no passado foram eleitos pelos cidadãos do Porto", frisou Castello-Branco, ex-vice presidente da autarquia.

O líder distrital do CDS, partido que apoia o executivo de Rui Moreira, no qual elegeu o vereador Sampaio Pimentel, disse não conseguir perceber "primeiro a arrogância e em segundo lugar a ignorância" de Tiago Guedes que, acrescentou, "ignora completamente as coisas e portanto não está dentro dos assuntos e parece que não percebe bem o que se tem passado no país".

"Ele tece críticas à gestão do Teatro Municipal do Rivoli mas não sabe que o teatro em 2001 ou em 2002 custava à câmara municipal três milhões de euros por ano [e] a bilheteira só cobria 5% desses três milhões", argumentou o ex-autarca, segundo o qual, "depois da recuperação e da nova política estabelecida" o espaço tornou-se numa "âncora enorme para a revitalização da baixa do Porto", passando a custar "cerca de 500 mil euros por ano".

Para o dirigente centrista, as declarações "políticas" do director artístico são de uma "gravidade enorme" pelo que espera que "quem de direito na câmara" defenda a política cultural "que defendeu no programa" eleitoral. Álvaro Castello-Branco frisou ainda que o CDS "não se revê nas declarações dele [Tiago Guedes]. Esta não é a política que defende para o Teatro Municipal do Rivoli e portanto estamos extremamente apreensivo com aquelas declarações que poderão ser, obviamente, corrigidas pelo vereador da cultura [ou] pelo presidente da Câmara", notou.

"Eu pretendo desde já marcar bem a posição do CDS de que não concordamos minimamente com tudo o que ele defendeu na entrevista que deu relativamente ao Teatro Municipal Rivoli. Achamos que o Rivoli teve um papel fundamental nos últimos anos na revitalização da baixa [e] teve um papel de aceitação enorme pelas pessoas", sustentou.
Contactada pela Lusa, fonte da câmara do Porto afirmou que a autarquia não iria reagir às declarações de Álvaro Castello-Branco.