O MEO Sudoeste 2014 arranca esta quarta-feira: ordem para dançar

O festival da Zambujeira do Mar assume plenamente a identidade que foi desenvolvendo nos últimos anos e apresenta em destaque, ao lado de Ellie Goulding ou John Newman, DJs como David Guetta, Hardwell ou Alesso.

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O cartaz do Sudoeste parece ter mudado para responder aos desejos do seu público-alvo cada vez mais jovem NUNO FERREIRA SANTOS

David Guetta, um dos músicos que melhor representa o novo estatuto dos DJs enquanto super-estrelas, é presença habitual no festival há vários anos. O francês, cabeça-de-cartaz da noite de encerramento, domingo, do MEO Sudoeste que se inicia esta quarta-feira, representa também o que é hoje o histórico festival português realizado na Zambujeira do Mar. Para esta edição, a organização, a promotora Música no Coração, prevê que passem pela Herdade da Casa Branca 200 mil espectadores ao longo dos cinco dias, superando os 158 mil de 2013.

Recuemos três anos. No último dia do Sudoeste 2011, os The National surgiam como cabeças de cartaz. A banda de Boxer tocou perante milhares no palco principal, num espaço preenchido mas longe de uma enchente. Quando a banda abandonou o palco, porém, começou a surgir público e mais público, aglomerando-se quem até então procurara outras atracções no recinto e muitos que se haviam mantido até então na zona de campismo. Juntavam-se por uma razão: as batidas electro house, directas e desdenhosas de qualquer subtileza, do conjunto de DJs suecos Swedish House Mafia. Quando surgiu nos ecrãs a contagem decrescente para o início da festa, o entusiasmo dos dezenas de milhares de jovens e adolescentes superava largamente o manifestado nos concertos dos The National ou, no dia anterior, durante a actuação de outros cabeças-de-cartaz, os Scissor Sisters (que foram sucedidos em palco por David Guetta).

Tal cenário, por contraste com a completa indiferença com que foi recebido uma figura de destaque do dito “indie”, Destroyer, num palco secundário, ou uma banda rock’n’roll de culto como os King Khan & The Shrines (não chegaria a uma centena o número de pessoas reunidas para ver cada um deles), tornou-se paradigmático. Depois de, nos anos seguintes, terem passado pelo MEO Sudoeste nomes como Eddie Vedder, Ben Harper ou, o ano passado, Cee-Lo Green, os DJs e super DJs da EDM (acrónimo para Electronic Dance Music, ou seja música electrónica que pretende ser banda-sonora e catalisadora de ambientes festivos, eufóricos, quer em clubes, quer no espaço aberto dos festivais) tornaram-se grandes figuras de destaque e a edição 2014 do Sudoeste é aquela em isso é plenamente assumido e evidenciado no cartaz, onde surgem o supracitado David Guetta, naturalmente, Hardwell (quinta, 2h30), Sebastian Ingrosso (dos Swedish House Mafia, sexta, 2h) ou Alesso (sábado, 2h).

Uniu-se, portanto, um dos grandes atractivos do Sudoeste, a possibilidade de aproveitar o festival enquanto tempo de férias na praia da Zambujeira ou no ambiente bucólico do campismo, com aquele que parecia ser, nos últimos anos, os desejos do seu público, progressivamente mais jovem quando comparado com os anos de consolidação, em meados dos anos 2000, do festival realizado pela primeira vez em 1997.

O MEO Sudoeste inicia-se esta quarta-feira com a habitual noite de recepção ao campista, animada pela actuação dos djs Dimitri Vegas & Like Mike, Martin Garrix, Jay Hardway e Pedro Cazanova. Mas nem só de DJs e DJs super-estrelas se faz o cartaz do Meo Sudoeste. Quinta-feira, o primeiro dia em pleno, com os três palcos em funcionamento (Meo, o principal, Moche Room e Santa Casa), passarão pelo Sudoeste nomes como a estrela de synth pop britânica Ellie Goulding (00h50), o também britânico John Newman, fenómeno recente da soul electrónica (23h20), Miguel Araújo (20h05) ou os Orelha Negra (2h).

Nos dias seguintes, ouvir-se-á o reggae do alemão Gentleman (sexta, 00h30), a super banda hip hop portuguesa 5-30 (reúne Carlão, Fred e Regula e toca às 23h10), Seu Jorge, que actua sexta no Porto, ou Jamie Cullum (sábado, 0h20 e 22h50, respectivamente). A despedida, apresentada pela organização no site oficial como “Dia D”, de “descontracção, diversão… domingo… Djing”, o encerramento do palco principal estará a cargo de David Guetta e os últimos cartuchos do festival serão gastos com Rui Vargas.