Editorial

Jogar ao gato e ao rato com os professores

Marcar a PACC com apenas três dias úteis de antecedência é comprar uma guerra desnecessária.

"Pela calada", "em surdina", "às escondidas", "inédita", "aviso-relâmpago", "calculismo politiqueiro". Foi mais ou menos assim que os sindicatos e alguns partidos da oposição classificaram o anúncio de que a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) iria realizar-se já na terça-feira, 22 de Julho.

Esta prova, destinada a professores contratados, nasceu torta e torta continuará. O conceito já existe desde 2007, mas nunca avançou por causa da oposição dos sindicatos. Nuno Crato ressuscitou a PACC, mas com muitas peripécias pelo meio. As questões da prova foram consideradas "desadequadas e até insultuosas", até que o ministro cedeu e dispensou da prova todos os que, mesmo sem vínculo, tivessem cinco ou mais anos de serviço.

A polémica continuou, já que no dia da realização da prova, a 18 de Dezembro, muitos professores viram-se impedidos de realizar a PACC por causa das greves convocadas para o dia da prova.

Quando agora a Fenprof vem dizer que "quem não tem cão caça com gato", o que está a dizer é que Nuno Crato marcou a prova para 22 de Julho para evitar que os professores pudessem legalmente ter tempo de convocar nova greve. E neste jogo do gato e do rato, eis que os sindicatos vêm dizer que então vão interpor providências cautelares contra a PACC e, convenientemente, marcar reuniões sindicais em todas as escolas onde decorre a prova, o que quer dizer que os professores podem justificar as faltas ao abrigo da lei sindical.

Já se adivinha na próxima semana mais um dia da PACC bastante conturbado. Mas o Ministério da Educação, ao marcar a prova a três dias úteis da sua realização, numa altura em que muitos professores até se encontram de férias, está a dar argumentos para que os sindicatos contestem a PACC, já não só pelo conteúdo mas também pela forma.