Sistema incapaz de "travar" 70% dos jovens problemáticos referenciados

Era importante "investir mais na prevenção do que na repressão", diz Licínio Lima, subdirector da Reinserção e Serviços Prisionais.

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A maioria dos jovens em centros educativos foram antes crianças em risco Daniel Rocha

Cerca de 70% dos 255 jovens internados nos centros de reinserção social em Portugal estavam anteriormente referenciados pelas comissões de protecção, mas "o sistema foi incapaz de os travar", admite a Direcção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

Cerca de 70% dos 255 jovens internados nos centros de reinserção social em Portugal estavam anteriormente referenciados pelas comissões de protecção, mas "o sistema foi incapaz de os travar", admite a Direcção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

Segundo Licínio Lima, subdiretor da DGRSP, "70% dos jovens já estavam referenciados, já se sabia da sua propensão para o cometimento de actos ilícitos", antes das circunstâncias que os levaram a serem colocados nos centros educativos de reinserção social. Para este responsável, era necessário investir "mais na prevenção do que na repressão".

Os últimos dados publicados sobre os centros de reinserção social, de Maio de 2014, indicam que nos sete centros existentes no país estão inseridos 255 jovens problemáticos, repartidos em 89% rapazes e 11% raparigas.
Julgados pelo Tribunal de Família e Menores, estes jovens vão para os centros educativos na sequência de actos cometidos entre os 12 e os 16 anos.

"O Estado investe em média 100 euros por dia em cada jovem que comete crime", sendo que "um recluso, em média, custa 50 euros por dia", disse Licínio Lima, explicando que a diferença entre o custo de um jovem nos centros de reinserção social e um recluso num sistema prisional prende-se com o facto de "o recluso não ser obrigado a andar na escola, enquanto os jovens dos centros educativos estão na escola".

Nos centros educativos, os jovens têm "educação, formação profissional, acompanhamento, segurança, vigilância, alimentação, têm tudo", assegurou. Para alguns, no final do cumprimento da pena, falta, porém, a integração plena na comunidade, o que os leva, muitas vezes, a regressar a um quotidiano de delitos.

"O grande problema da reincidência não está no indivíduo que não se consegue adaptar, o grande problema da reincidência está em que a sociedade não permite que o indivíduo se readapte", lamentou Licínio Lima.
Segundo aquele levantamento, "cerca de 46% dos jovens encontram-se completamente integrados na comunidade", sem indícios da prática de novos crimes, integrados na família ou em instituição, a estudar, a frequentar um curso de formação profissional ou a trabalhar.

Em risco de reincidência, encontravam-se cerca de 47% dos jovens, "sem estarem a estudar, a frequentar um curso de formação profissional ou a trabalhar".