Famosos da Escócia divididos no referendo sobre a independência

Todos têm opinião, mas alguns vão mais longe. JK Rowling doou 1,2 milhões de euros à campanha do "não".

 Sean Connery: "Esta é uma oportunidade única e boa demais para ser perdida"
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Sean Connery: "Esta é uma oportunidade única e boa demais para ser perdida" AFP

O referendo sobre a independência de 18 de Setembro está a dividir escoceses e as celebridades não estão fora do confronto. De músicos a desportistas, todos entram na discussão, num ping-pong de opiniões.

A autora e criadora da saga Harry Potter, JK Rowling, doou esta quarta-feira um milhão de libras – cerca de 1,2 milhões de euros

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 para ajudar a financiar a campanha contra a independência da Escócia, e quem sabe fazer com que os muggles do seu país votem contra. “Quanto mais me informo sobre esta questão, a partir de variadas fontes imparciais, mais chego à conclusão que embora a independência nos possa dar algumas oportunidades, também acarreta sérios riscos”, escreveu JK Rowling no seu site pessoal. Um porta-voz da campanha a favor da permanência do país no Reino Unido “Better Together” já confirmou a doação e o respectivo montante.

Já um dos mais famosos James Bond, o actor escocês Sean Connery, mostrou-se a favor da independência. Numa entrevista em Março de 2014 à revista New Statesman reconheceu que "como escocês e como alguém que ao longo da vida sempre amou a Escócia e as artes" acredita que "esta é uma oportunidade única e boa demais para ser perdida.”

O humorista Billy Connolly, nascido em Glasgow, defende, com ironia, que os contribuintes devam pagar a um maior número de governantes. "Acho que é tempo das pessoas se unirem e não se separarem”, disse em Abril de 2014 à Radio Times.

Já Irvine Welsh, escritor escocês que, entre muitos livros, escreveu o famoso Trainspotting, admitiu ser “totalmente a favor da independência". "O que devíamos era estar a discutir o processo como se vai realizar o referendo, não o princípio em si porque esse é inquestionável”, disse.

Por outro lado, Rod Stewart, cantor e compositor britânico de ascendência escocesa admitiu em Julho de 2013 à Radio Times que “odiaria ver a União quebrar-se depois de tantos anos”  – a união dura há 307 anos. Também a cantora Susan Boyle, que se  tornou num verdadeiro sucesso no Youtube (tem mais de 150 milhões de visualizações) após ter participado no Britains Got Talent de 2009, afirmou ser uma “escocesa orgulhosa", apaixonada pela sua herança, mas "não nacionalista".  É contra a independência, como disse ao The Sun.

O actor Brian Cox, nascido em Dundee e vencedor de um Emmy em 2001, é uma das celebridades que há muito apoia a causa da independência. Numa entrevista em Março de 2014 à edição online da New York magazine afirmou que é a favor da independência não “por causa da libra ou de algo do género, mas sim para voltar aos princípios igualitários tão presentes no carácter escocês.”

 “Se tivesse oportunidade de ser independente do bando tory  [conservadores] e dos liberais, nem pensava duas vezes!”, disse o realizador de cinema Ken Loach, que apesar de se inglês – nasceu em Nuneaton, Warwickshire – é pela independência.

Alguns dos escoceses que se notabilizaram no desporto, como o ex-treinador do Manchester United, Alex Ferguson, e o tenista Andy Murray (actual n.º5 do ranking ATP), são contra a independência do país. O ex-treinador, no Daily Record, afirmou que “se alguma vez na História da Escócia houve um momento para se ter cuidado com o que se faz, esse momento é agora". "Este referendo é apenas uma distracção para o que realmente importa – a economia, o emprego, as escolas e os hospitais”, disse. Murray ainda não se pronunciou realmente sobre o assunto mas admitiu que, quando venceu o torneio de Wimbledon no ano passado, não gostou que o líder escocês, Alex Salmond, tivesse levantado a bandeira escocesa atrás do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Considerando apenas a opinião dos famosos, o resultado do referendo está longe de ser previsível. Uma coisa é certa, os famosos escoceses estão decididos a intervirem e a apoiarem, se necessários, as suas distintas causas.