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João Paulo Cotrim, Abysmo: 40 x Abril, antologia de poesia e ilustração

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João Paulo Cotrim Francisco Levita/CML
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“Abysmo c’est moi” é uma forma curta que João Paulo Cotrim, de 49 anos, usa para descrever o seu trabalho na editora que fundou em 2011. Quando teve “uma crise de meia idade tardia” e se perguntou o que queria fazer até ao fim da sua vida, percebeu que o que fazia sentido era estar ligado à edição de livros, porque o livro é aquilo a que sempre esteve ligado: escreveu novelas gráficas, como Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte, ficção – O Branco das Sombras Chinesas, com António Cabrita, ou poesia – Má Raça, com Alex Gozblau. Entre 1996 e 2002 dirigiu ainda a Bedeteca de Lisboa e actualmente coordena o site de promoção da leitura da Fundação Gulbenkian – Cata Vento.

Para João Paulo Cotrim, a edição na Abysmo é um trabalho de “artesanato pessoal”: escolhe as obras independentemente das grandes tendências dos mercados editoriais, diz, e o seu objectivo é valorizar o livro enquanto objecto. “Cada livro tem uma determinada personalidade”, explica, e por isso não há colecções nesta editora e em cada obra é possível que a Abysmo tenha um logótipo diferente.

Entre os livros que João Paulo Cotrim já editou estão o álbum Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações ou Autismo, de Valério Romão. A sua escolha para a Feira do Livro é uma das publicações mais recentes: 40 x Abril – uma antologia de poesia e ilustração que quer homenagear José Mário Branco. O livro tem poemas de autores como Carlos Alberto Machado, António Poppe ou Maria Quintans e ilustrações de Afonso Cruz, António Jorge Gonçalves ou Pedro Zamith.