Genomas de 3000 variedades de arroz tornados públicos

Para alimentar a população mundial crescente, a produção de arroz terá de aumentar em 25% até 2030.

Grãos de diversas variedades de arroz
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Grãos de diversas variedades de arroz Instituto Internacional de Investigação do Arroz

Há quem goste dele branco, outros cozinham-no com tomate ou feijão e há ainda quem prefira o chau-chau. Cultivado em quase todos os cantos do mundo, necessita de água em abundância. Agora, a equipa internacional de cientistas do Projecto 3000 Genomas do Arroz sequenciou, como o nome indica, os genomas de 3000 variedades de arroz, de 89 países, e divulgou os resultados numa base de dados de acesso livre a todos, associada à revista GigaScience.

Mais de 1/8 da população mundial vive em condições de extrema pobreza e fome e a população mundial continua a crescer (somos hoje mais de 7000 milhões e estima-se que sejamos 9.600 milhões em 2050), pelo que os cientistas procuram fazer melhoramentos nas plantas alimentares, tornando-as, por exemplo, mais resistentes à seca e às pragas. “Por volta de 2030, a produção de arroz mundial terá de aumentar pelo menos em 25%, para acompanhar o crescimento populacional global e a procura [de alimentos]”, diz o artigo científico que acompanha os 3000 genomas.

É neste contexto que se insere o Projecto 3000 Genomas do Arroz, uma colaboração entre a Academia Chinesa de Ciências Agrárias, o Instituto Internacional de Investigação do Arroz e o BGI (um grande instituto chinês dedicado à genética) e que foi financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da China e pela Fundação Bill e Melinda Gates.

A primeira descodificação do genoma do arroz data de 2005, no âmbito de um projecto internacional: utilizou-se a subespécie de arroz Oryza sativa japonica. Agora ao olhar para tantas variedades desta planta, o seu retrato fica mais completo. “[Estes dados] servem para compreender a diversidade genética da Oryza sativa em grande pormenor. Com a divulgação dos dados da sequenciação, o projecto apela à comunidade ligada ao arroz para tirar partido desta informação e criar uma base de dados global e pública sobre a genética do arroz e melhorar as tecnologias de cultivo”, lê-se no artigo.

Neste projecto, recolheram-se amostras de cada uma das 3000 variedades da espécie Oryza sativa e depois os seus genomas foram sequenciados. A colocação gratuita desta informação na base de dados GigaDB pretende contribuir para melhorar a segurança alimentar a nível global, especialmente nas zonas mais pobres do mundo, e ainda reduzir o impacto ambiental das práticas agrícolas no ambiente, sublinha um comunicado de imprensa da revista.

Os dados obtidos confirmam que, na espécie Oryza sativa, as variedades se podem agrupar em cinco grandes grupos do ponto de vista genético: índica, “aus/boro”, “basmati/sadri”, japónica tropical e japónica temperada.

“O arroz é o alimento básico para a maioria dos povos asiáticos e o seu consumo está a aumentar em África”, refere Zhikang Li, director do projecto na Academia Chinesa de Ciências Agrárias. “Com a diminuição dos recursos (água e terra), a segurança alimentar é – e será – é o maior desafio nesses países, tanto agora como no futuro”, acrescenta.

“O acesso às sequências de 3000 genomas de arroz vai acelerar tremendamente a capacidade dos programas de cultivo para superar os obstáculos principais que a humanidade enfrentará no futuro próximo”, reforça Robert Zeigler, director geral do Instituto Internacional de Investigação do Arroz.

Texto editado por Teresa Firmino