Independência da Escócia: há 15% de eleitores indecisos para conquistar

Arrancou oficialmente a campanha para o referendo de 18 de Setembro

O "Sim" é dado como derrotado pelas sondagens
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O "Sim" é dado como derrotado pelas sondagens ANDY BUCHANAN/AFP

A campanha para o referendo sobre a independência da Escócia arrancou oficialmente esta sexta-feira, a 16 semanas da consulta histórica sobre o futuro da região e do Reino Unido.

O debate agita a Grã-Bretanha há vários meses. O lançamento oficial da campanha fixa regras especificas, nomeadamente sobre o montante das despesas da campanha - nenhum dos campos pode gastar mais do que 1,5 milhões de libras (1,8 milhões de euros).

De um lado estão os “Yes Scotland” e do outro os “Bether together”. Neste fim-de-semana já vão andar pelas cidades escocesas a esgrimir argumentos opostos. Os primeiros pela independência, os segundos contra. No dia 18 de Setembro, 4,1 milhões de eleitores registados devem responder “sim” ou “não” à questão de saber se “deve a Escócia tornar-se um estado independente do Reino Unido’”

Em Glasgow, o actor David Hayman apelou aos seus concidadãos para “aproveitarem esta oportunidade única na vida para criar uma Escócia melhor e mais justa”. Defensor do “sim”, considera que "este é o momento mais excitante para a Escócia em 300 anos”

Leigh Baillie, uma habitante de Glasgow, não está convencida com os argumentos do “sim” e defende a União: “Penso que estamos melhor juntos do que sozinhos no nosso canto”, diz à AFP

As sondagens mais recentes mostram que o “não” tem vindo a ganhar terreno. Segundo dados compilados pelo Financial Times, 48% dos eleitores votariam pela manutenção da Escócia no Reino Unido, 36% pela independência, enquanto 15% continuam indecisos.

Os três principais partidos com assento no parlamento de Westminster, os conservadores no poder, os seus aliados liberais-democratas da coligação, e a oposição trabalhista, estão no campo do “não”. O “sim” é defendido pelo Partido Nacional Escocês, de Alex Salmond, que dirige o governo local.

Para melhor convencer os escoceses a ficarem no Reino Unido, Londres já fez algumas concessões, transferindo poderes à Escócia que goza de uma autonomia acrescida desde 1997. Nos últimos meses, os dois campos têm travado uma batalha de números sobre os benefícios e perdas no caso de uma eventual independência.

Salmond calculou que cada habitante da Escócia ganharia “mais mil libras (1230 euros) por ano” em caso de vitória do “sim”. Londres responde que é preciso votar no “não” para beneficiar de um “bónus de 1400 libras (mais de 1700 euros) por ano”.

O primeiro-minsitro escocês defende que a Escócia seria “um dos países mais ricos do mundo”. Especialistas e partidários do “não” garantem que não é bem assim. Nos próximos meses se verá quem consegue conquistar o voto dos 15% de indecisos.

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