Porta voz do PSD discorda "frontalmente" do FMI sobre aumento do salário mínimo

Marco António Costa agradeceu a ajuda da troika mas lembra que Portugal "caminha para um espaço de liberdade".

Marco António Costa acentuou os "sinais ténues" de crescimento
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Marco António Costa Nuno Ferreira Santos

O coordenador da Comissão Política Nacional do PSD, Marco António Costa, assumiu esta terça-feira que discorda "frontalmente" da oposição do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao aumento do salário mínimo e agradeceu a ajuda da troika no momento em que Portugal "não quer prescindir do seu caminho de liberdade".

 "Nós respeitamos sempre as opiniões de todas as instituições. É sabido que eu tenho há muito tempo uma divergência latente com muitas das posições do FMI. Discordo frontalmente dessa opinião do FMI sobre o salário mínimo", declarou Marco António Costa à Lusa.

O chefe de missão do FMI Subir Lall afirmou na segunda-feira ser "prematuro especular sobre o aumento do salário mínimo". Uma declaração que mereceu resposta por parte do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, ao reiterar a disponibilidade do Governo para discutir o aumento do salário mínimo no momento em que o programa de assistência financeira está a terminar.

O tema não foi, no entanto, desenvolvido na reunião de segunda-feira entre membros do Governo e os parceiros sociais para preparar a 12ª avaliação. A CGTP acusou o Governo de fazer encernações sobre o salário mínimo, enquanto João Vieira Lopes, da CCP, mostrou-se desiludido com a natureza genérica dos temas do pós-troika

Nas vésperas de terminar o resgate, o porta-voz e coordenador da Comissão Política Nacional do PSD assinalou que se aproxima a conclusão do programa: "Nós respeitamos muito as opiniões do FMI, mas é importante percebermos que o país caminha para um espaço de liberdade. Agradecemos muito a ajuda que nos foi dada pela troika, mas não queremos prescindir do nosso espaço de liberdade".

Marco António Costa acrescentou que o PSD subscreve a importância de haver "consenso quanto à política de rendimentos", num contexto que alegou ser de "transição para um novo ciclo de crescimento económico, com descida do desemprego e aumento do emprego".

O porta-voz do PSD apelou à "disponibilidade dos agentes políticos e parceiros sociais" para "construir um quadro de previsibilidade e a estabilidade relativamente ao futuro" sobre "a actualização da política de rendimentos associada à produtividade".

O dirigente social-democrata dirigiu-se em especial ao PS, a quem pediu que "abandone o auto-isolamento e passe a ser um agente disponível para o diálogo político". 

Quanto à eventual diminuição do IRS, o porta-voz do PSD considerou que não existe nenhum problema dentro do executivo PSD/CDS-PP: "Não vejo que haja". No seu entender, nesta matéria o Governo seguirá uma "metodologia de análise muito séria, como aconteceu com o IRC".

Questionado sobre o possível aumento da taxação sobre produtos nocivos para a saúde, Marco António Costa desvalorizou o assunto: "Parece-me que há um ponto de referência que é a taxação do tabaco e do álcool. Admito que seja uma matéria menor. Devemos olhar para as grandes questões, em vez de para as pequenas quezílias".
 

   

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