Federações sindicais frisam que professores podem recusar corrigir testes de inglês

Na semana passada, o Ministério da Educação e Ciência indicou aos directores escolares que deviam inscrever docentes na formação exigida por Cambridge aos correctores do teste de diagnóstico, apesar de a legislação determinar que a actividade é para voluntários.

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Nélson Garrido (arquivo)

Dirigentes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da Federação Nacional de Educação (FNE) frisaram esta segunda-feira que, “naturalmente”, os professores de Inglês “não são obrigados a voluntariarem-se” para corrigir o teste de diagnóstico elaborado pela Universidade de Cambridge e podem recusar-se a fazer a formação exigida para o efeito. “É inadmissível que o Ministério da Educação e Ciência tente pressionar os directores das escolas a arranjar candidatos e que alguns destes, por sua vez, aceitem fazer algum tipo de pressãozinha para que os docentes se inscrevam na formação”, criticou Anabela Sotaia, da Fenprof.

Na semana passada, directores de escolas de norte a sul do país foram convidados a designar professores para fazerem a formação e integrarem a bolsa de classificadores do teste diagnóstico de Inglês, obrigatório para todos os alunos do 9º ano, Isto, apesar da bolsa, nos termos da legislação em vigor, ser formada apenas por voluntários.

A indicação, que foi dada por telefone e depois por email pelo MEC, foi recusada por alguns directores mas aceite pela maioria. De acordo com os representantes das duas associações nacionais de directores, na mensagem electrónica referia-se que deviam “diligenciar no sentido de promover a cooperação dos docentes visados”, mas o telefonema foi entendido como uma ordem para que os inscrevessem na formação.

“Nunca poderia ser dada uma ordem – trata-se de um exame concebido por uma entidade externa que exige formação especializada, não faz parte do conteúdo funcional dos professores. Por isso o MEC foi obrigado a recorrer ao voluntariado”, disse Anabela Sotaia. Dias da Silva, da FNE, frisou que, “se os voluntários não são em número suficiente, o MEC tem de encontrar solução para o problema que ele próprio criou, quando instituiu a obrigatoriedade de uma prova de e determinou que seria corrigida por professores em regime de voluntariado, sem qualquer compensação”. “Os professores estão sobrecarregados, era de esperar que não se voluntariassem”, afirmou.

Contactado pelo PÚBLICO, na sexta-feira, o MEC limitou-se a registar que “o teste de diagnóstico é de aplicação obrigatória” e que “o processo de classificação tem de ser assegurado por professores de Inglês”.