Jovens estão preocupados com sucesso escolar, futuro profissional, aparência e morte

Estudo dos Empresários pela Inclusão Social é apresentado esta quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e pretende debater os novos desafios do desenvolvimento e da educação das crianças

Directores de escolas dizem que transferência do pessoal não docente é procedimento inédito
Foto
A preocupação com o sucesso esoclar é comum a rapazes e raparigas Daniel Rocha

A principal preocupação dos jovens portugueses é o sucesso escolar, mas os alunos do 3.º ciclo também andam inquietos com o futuro profissional, a sua aparência e a morte, revela um estudo realizado a dois mil estudantes.

Promovido pela Associação EPIS - Empresários pela Inclusão Social, o estudo incidiu sobre as expectativas, preferências e capacidades de 1963 alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos, que frequentam o 3.º ciclo.

Segundo o inquérito, realizado no final de 2013, a primeira preocupação dos jovens é o seu sucesso na escola (70%): tanto rapazes como raparigas têm esta preocupação, existindo apenas pequenas diferenças entre os que têm bons e os que têm maus resultados (69% e 73%, respectivamente).

Os jovens andam também preocupados com o futuro profissional (58%), a sua aparência (38%), a morte (32%) e com o facto de não terem amigos (19%), revela o inquérito realizado em 18 concelhos.

A mudança de escola e o desemprego (14%, em ambos) também fazem parte das situações que mais desassossegam os alunos portugueses.

Os resultados do estudo "parecem indicar que os jovens se preocupam de uma forma bastante homogénea quanto à sua vida futura, sejam rapazes ou raparigas, sejam melhores ou piores alunos", adianta Diogo Simões, director-geral da EPIS, para concluir que "os jovens parecem sonhar de modo bastante semelhante a sua realização pessoal, que entendem passar pelo sucesso escolar e pela escolha de uma profissão".

No entanto, as diferenças entre ser rapaz ou rapariga voltam a ser demonstradas neste estudo da EPIS que revela, por exemplo, que os rapazes preferem o desporto enquanto as raparigas gostam mais de música.

No geral, o desporto (50%) e a música (40%) são as duas áreas preferidas, mas há grandes disparidades percentuais: eles preferem o desporto (68%), a informática (37%) e a música (33%) enquanto elas gostam mais de música (47%), desporto (34%), artes visuais (23%) teatro (20%), saúde (32%) e educação (20%).

No que toca à ocupação dos tempos livres, a maioria dos rapazes volta a escolher o desporto e jogar computador como "hobbies" preferidos, enquanto as meninas preferem ouvir música ou simplesmente estar com os amigos.

Os números do inquérito indicam que três em cada quatro rapazes gostam de fazer desporto e jogar computador e 35% gosta de ouvir música (35%). Já entre as raparigas, metade diz que gosta de ouvir música, havendo um grupo mais pequeno que gosta de estar com amigos (36%) e ligar-se às redes sociais (33%).

Quando se questiona os jovens quanto às suas expectativas de futuro, são os bons alunos que parecem acreditar mais na na sua capacidade de poderem viver e trabalhar em Portugal.

Apesar de se mostrarem preocupados quanto ao seu futuro, um em cada três (37%) ainda não sabe que profissão gostaria de ter. Entre os que já se debruçaram sobre o assunto, destacam-se apenas duas profissões: desportista (9% das respostas) e médico (8%).

O diretor geral da EPIS acredita que é através de uma educação personalizada, com a ajuda da família e da escola, em que cada indivíduo é objecto de atenção especial e diferenciada, que se podem potenciar ao máximo as capacidades de todos os alunos.

O estudo da EPIS será hoje apresentado na 4ª Conferência EPIS -- Escolas de Futuro, que vai decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e pretende debater os novos desafios do desenvolvimento e da educação das crianças desde que nascem até aos 10 anos.

Com o tema "Crianças Globais? Potenciar capacidades num mundo global e local", a conferência conta com a presença de Luísa Barros e Ana Rita Goes, da Universidade de Lisboa, Peter Matthews, da Universidade de Londres, Carlos Fernandes da Silva, da Universidade de Aveiro, Paulo Nossa, da Universidade de Coimbra, e do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar.