Ministério da Educação limita acesso à Internet nas escolas

Entradas no Facebook ou Instagram só podem ser feitas em determinados horários para melhorar tráfego online nos estabelecimentos de ensino públicos.

Entre as 08h30 e as 13h30 não há acesso às principais redes sociais
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Entre as 08h30 e as 13h30 não há acesso às principais redes sociais Nelson Garrido

O acesso a sites como o Facebook ou Instagram vai ser permanentemente limitado nas escolas. Alunos, professores e pessoal administrativo só podem aceder aos sites durante um horário específico, uma medida explicada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) com a necessidade de responder à “pressão sobre a rede” que decorre do acesso a páginas que, “de um modo geral, não se revestem de carácter pedagógico”.

Segundo uma comunicação enviada pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) às escolas, na última sexta-feira, e a que o PÚBLICO teve acesso, em Janeiro e Fevereiro houve uma “fraca qualidade de serviço de ligação à Internet”. A DGEEC explica que o caso “está intrinsecamente ligado ao elevado número de ataques DDOS de que a rede foi alvo”. Quando ocorrem estes ataques, é enviada uma grande quantidade de pedidos de acesso a um ponto da rede.

“Paralelamente” e para “melhorar a qualidade do acesso à Internet”, a DGEEC anunciou às escolas limitações à entrada no Facebook, Tumblr, Instagram e lojas Android e Apple, entre as 08h30 e as 13h30. Nas restantes horas há uma limitação de utilização máxima. Actualizações para o sistema operativo Windows só serão possíveis das 17h às 8h do dia seguinte. O YouTube não terá limitação horária mas fica abrangido por um limite de utilização.

A DGEEC espera duplicar a banda total disponível e indica que está a tratar da migração do acesso à Internet para a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O Ministério da Educação confirmou ao PÚBLICO que houve uma “saturação” do tráfego online nos estabelecimentos de ensino públicos nos dois primeiros meses do ano, em determinados horários, devido ao acesso a alguns sites e não aos ataques informáticos. Por as páginas em causa não se considerarem pedagógicas foram “adoptadas medidas de priorização do tráfego”.

O ministério de Nuno Crato pretende o “normal funcionamento da Internet nas escolas” e, por isso, as restrições vão ser “permanentes” e afectar todos os utilizadores.

O MEC negou que as restrições decididas agora tenham como meta a poupança ou o objectivo de “qualquer ganho para a PT”, operador de telecomunicações que desde 2008 fornece o acesso à Internet nas escolas.