Ebola já matou pelo menos 59 pessoas na Guiné Conacri

Autoridades confirmam surto desta febre hemorrágica, com 80 casos já identificados. Serra Leoa investiga casos suspeitos.

O vírus foi reconhecido pela primeira vez na República Democrática do Congo
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O vírus foi reconhecido pela primeira vez na República Democrática do Congo Desirey Minko/AFP

Desde 9 de Fevereiro que uma febre hemorrágica tinha sido diagnosticada em vários doentes no Sul da Guiné Conacri. Este sábado, as autoridades confirmaram que se trata de Ebola, um vírus altamente contagioso e para o qual não existe vacina nem cura.

“Estamos esmagados, estamos a combater este surto com todos os meios que temos ao nosso dispor e com a ajuda dos nossos parceiros, mas é difícil”, diz Sakoba Kéita, responsável pela prevenção no Ministério da Saúde de Conacri, citado pela AFP.

A confirmação de que se trata de Ebola chegou de Lyon, onde foram analisadas as amostras recolhidas na zona onde foram detectados os primeiros casos. Confirmadas “estão pelo menos 59 mortes nos 80 casos recenseados no terreno”, afirma Sakoba Kéita.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras anunciou que vai lançar uma intervenção de urgência no país: “Vinte e quatro médicos, enfermeiros, pessoal da logística e especialistas de higiene e de saneamento já estão no local e mais pessoas vão reforçar a equipa nos próximos dias”, diz a ONG num comunicado. A caminho vão ainda “33 toneladas de material”, medicamentos e equipamento para os centros de isolamento, para apoiar esta operação.

Em colaboração com o Ministério da Saúde guineense, “os MSF ergueram uma estrutura de isolamento dos casos suspeitos em Guéckédou e preparam-se para fazer o mesmo em Macenta”. Estas são duas localidades da região de Nzérékoré, no Sul do país.

A ONG está entretanto à procura de pessoas que possam ter sido infectadas quando estiveram em contacto com pacientes já diagnosticados. Na sexta-feira, o Governo já tinha anunciado a decisão de “tratar gratuitamente todos os doentes nos centros de isolamento”.

Ainda antes da confirmação de que se tratava de Ebola, a OMS (Organização Mundial de Saúde) dissera que casos com sintomas semelhantes aos registados na Guiné Conacri tinham sido identificados na Serra Leoa, perto da fronteira com a Guiné. O Governo da Serra Leoa disse este sábado que as autoridades ainda estão a realizar testes para determinar se se trata da mesma epidemia.

Esta doença, que se transmite entre humanos, através do contacto com o sangue das hemorragias que causa nos doentes, mata até 90% dos infectados. Foi reconhecida pela primeira vez em 1976 na actual República Democrática do Congo, tendo recebido este nome por causa do rio Ebola, um afluente do rio Congo.

Conhecem-se, até agora, cinco estirpes distintas deste vírus, sendo que algumas são muito mais agressivas. O vírus dissolve literalmente os órgãos internos dos doentes, que perdem sangue até pelos olhos e ouvidos e acabam, em geral, por morrer de choque ou paragem cardíaca.

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