RTP emitirá Jornal 2 a partir do Porto e fará Telejornal mais longo

Directores de informação dos três canais generalistas participaram em debate na Universidade do Minho.

Em 18 meses, os quatro canais abertos transmitiram mais de 300 notícias de ciência no principal telejornal da noite
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Em 18 meses, os quatro canais abertos transmitiram mais de 300 notícias de ciência no principal telejornal da noite Nuno Ferreira Santos

A informação da RTP vai sofrer mudanças visíveis a partir do próximo mês. O Jornal 2 vai passar a ser emitido todos os dias a partir do Centro de Produção do Porto, em Gaia, e o Telejornal terá um formato alargado de uma hora e dez minutos, aproximando-se da duração dos dos canais privados.

O anúncio foi feito pelo director de informação da estação, José Manuel Portugal, na sua primeira aparição pública desde que assumiu aquele cargo, num debate sobre o futuro da informação televisiva no qual também estiveram presentes os homólogos da SIC e da TVI, que decorreu em Braga.

Num painel de jornalistas, foi José Manuel Portugal quem deu as notícias. O jornal da noite do segundo canal da RTP passará a ser emitido do Porto, a partir de meados de Março, todos os dias, às 21h. Os estúdios do Monte da Virgem serão também palco de debates políticos diários, assegurou. “Nós levamos muito a sério a questão regional”, defendeu, garantindo “mais horas de emissão nos estudos da RTP Porto” a partir dos próximos meses.

No primeiro canal da televisão pública também haverá alterações, desde logo com o alargamento da duração do Telejornal. A partir de 10 de Março, o noticiário das 20h prolongar-se-á até às 21h10. “Não vamos ainda para as duas horas”, ironizou Portugal, reconhecendo que, nos últimos anos, a televisão fez “um caminho difícil” com algumas “experiências que estão terminadas” na tentativa de conseguir melhores resultados de audiências no horário nobre, que agora vão dar lugar a um reforço da aposta na informação.

O anúncio do director de informação da RTP mereceu resposta pronta do homólogo da SIC, Alcides Vieira. “A estratégia do serviço público está nas privadas”, comentou, lembrando que a RTP era o operador com o jornal mais pequeno e que, com esta medida, vai aproximar-se da duração que este tem nos canais generalistas privados. Alcides Vieira anunciou também “uma forte aposta” da estação sediada em Carnaxide nos seus estúdios do Porto. “Não podemos prometer regularidade programática”, mas o espaço estará, dentro de cerca de um mês, preparado para receber directos ou gravações de programas com as mesmas condições dos estúdios centrais, sempre que isso se justificar.

Estas novidades foram avançadas durante o debate UM futuro para a informação televisiva, realizado nesta quinta-feira na Reitoria da Universidade do Minho, em Braga, numa parceria com a revista Notícias TV. A sessão, onde além de Portugal e Vieira também esteve presente o director de informação da TVI, José Alberto Carvalho, foi dominado pela questão da centralização dos meios de produção televisivos e dos principais actores dos debates políticos em Lisboa.

Essa é uma realidade que Alcides Vieira considerou “natural”, pelo facto de Lisboa ser sede do poder político e económico. Já José Alberto Carvalho reconheceu que há nas televisões “um enorme défice de aproveitamento da capacidade instalada” nas universidades e institutos politécnicos do país, mas defende que essa é também uma responsabilidade das instituições de ensino superior, que não souberam “criar as redes” para se afirmarem.

Mais fora do tom, José Manuel Portugal disse “perceber” por que motivo as pessoas acham que há forças centrípetas no Terreiro do Paço. “Os jornalistas têm responsabilidades sobre isso”, advertiu. E recordou uma das novidades que tinha anunciado durante o debate, para prever que o Jornal 2 emitido desde o Porto “vai certamente trazer novos protagonistas do Norte” para o canal público.