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Cinco ideias sobre o Irlanda-País de Gales

Os irlandeses derrotaram os galeses, no Torneio das Seis Nações, numa partida onde ficou evidente que Joe Schmidt tem várias soluções tácticas e Warren Gatland falta de opções

1. Joe Schmidt tem várias fórmulas

Em Novembro, O’Brien liderou a destruição do jogo no chão dos All Blacks, privando-os de bola rápida durante 70 minutos. Os Irlandeses transformaram os erros adversários em pontos, fizeram quase 190 placagens (mais 80 que os neozelandeses) e inundaram todos os “rucks”. Foi preciso a Irlanda dar o “estoiro” para que os All Blacks vissem a invencibilidade em 2013 confirmada. Warren Gatland esperava mais do mesmo e ordenou que os galeses aparecessem aos quatro e cinco nos “rucks”: havia que assegurar bola rápida e espaço. Porém, os avançados Irlandeses dominaram a colisão, a defesa foi eficaz e o plano de Joe Schmidt, executado pelos médios, sufocou os galeses. Genial!

2. Sexton foi maestro, mas teve ajuda

Foi talvez o melhor jogo de Sexton pela Irlanda, sobretudo na primeira parte. Ofereceu um recital de ocupação territorial ao pé e a vítima preferencial foi o ponta suplente Liam Williams, que viu três bolas aterrarem nas suas costas, incluindo quando estava no lado aberto – inaceitável! Murray desbravou caminho, abusando de pontapés para a caixa, que tiveram o condão de adiantar o três de trás galês, abrindo espaço nas costas da defesa para o pé de Sexton, bem complementado com uma perseguição defensiva asfixiante. Os galeses nunca foram capazes de fazer o seu jogo de quebras de linha e “offloads”, de penetrações nos espaços exteriores, porque perderam bolas no contacto ou no chão. As que preservaram, saíam lentas. D’Arcy e O’Driscoll, no centro, foram monstros a defender e obrigaram o País de Gales a lateralizar sem penetrar. Dezoito perdas de bola pelos galeses explicam o resto.

3. A terceira linha irlandesa não se resume a O’Brien

A lesão de Sean O’Brien fazia temer o pior, porque é ele quem placa, carrega a bola, a rouba e atrasa. Henry, o novo “7”, fez 11 placagens. Heaslip, de regresso à melhor forma depois de verão anónimo com os Lions, fez 11 placagens, recuperou uma posse e carregou 10 vezes a bola – o mais solicitado neste departamento. O’Mahony fez oito placagens e eclipsou Warburton no jogo rasteiro. Junte-se Cian Healy, portador de bola em cinco ocasiões, e Best, com nove placagens e duas recuperações de bola, e começamos a perceber de que forma se escreveu a vitória irlandesa.

4. Faltam alternativas a Gatland

Gatland mexeu pouco e tarde na equipa, porque não tem soluções. A lesão de Scott Williams implicou a entrada do ponta Liam Williams, uma estrela nos sevens, mas ainda peixe fora de água no XV. Dan Lydiate está numa forma confrangedora e Faletau é um homem marcado desde o Mundial de 2011. Ryan Jones pode substituir um e outro, mas já teve o seu tempo. Na segunda linha, Ian Evans está suspenso, Charteris lesionado e Coombs sem convencer. Gethin Jenkins jogou diminuído e o próximo na linha de sucessão, Rhodri Jones, tem 21 anos. Mike Philipps só sabe jogar com um “pack” dominante, porque tenta as penetrações e não tem um passe rápido. Mas não tem substituto aparente. Falta gente a Gatland, que ainda assim transformou uma nação com 22 mil jogadores séniores (Inglaterra tem 166 mil e França 110 mil) na mais estética e formidável a norte do Equador.

5. As fases estáticas não contam a história toda

Gales perdeu duas “touches” e ganhou todas as suas “melees”. Neste departamento, os avançados galeses estiveram melhor que os irlandeses. E no entanto, Gales começa a perder o jogo nos avançados. Com 16 placagens falhadas (11 por avançados) e 16 penalidades concedidas (11 por avançados), ficam evidentes as dificuldades no combate físico e no exercício de qualquer domínio no jogo no chão, que privaram os seus três-quartos de espaço e tempo para atacar. Para que as fases estáticas tivessem uma importância maior no plano de jogo Galês, e no seu sucesso, haveria que assegurar um jogo ao pé eficaz na ocupação/recuperação de terreno, com uma defesa de pressão asfixiante, que não permitisse que a recuperação da posse de bola pelo adversário fosse feita com qualidade. Traduzido por miúdos, haveria que jogar mais sem bola. Mas o plano de Gales é outro, e precisa de bola. Para que Gales continue a ser Gales, há que recuperar a paridade/domínio físico, que permite a posse de bola com qualidade, tempo e espaço.

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