Em três semanas, 49 vistos gold "renderam" 27 milhões de euros de investimento

Rui Machete resumiu a tensão com Angola "a pequenas coisas"
Foto
Rui Machete está em Maputo para participar na reunião de chefes de diplomacia da CPLP Miguel Manso

Portugal concedeu nas três primeiras semanas de Janeiro 49 vistos gold, que se traduzem num volume de investimento de 27 milhões de euros no país, anunciou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

"2014 será mais um ano promissor", disse o governante, lembrando que no ano passado Portugal concedeu cerca de 470 vistos para actividade de investimento, num total que rondou os 300 milhões de euros. Os chineses lideram de forma destacada a lista dos cidadãos estrangeiros que recebem os chamados vistos gold, seguindo-se cidadãos da Rússia, Brasil, Angola e África do Sul.

Rui Machete falava durante a assinatura de um protocolo sobre emissão de vistos para turistas oriundos de mercados com interesse estratégico do sector do turismo em Portugal, Rússia, China, Índia, Emirados Árabes Unidos e Colômbia.

Segundo os dados divulgados no final de Dezembro, as autorizações representavam um investimento total de 306 milhões de euros, dos quais 90% destinados à aquisição de imóveis (a partir de 500 mil euros) e os restantes se referem à transferência de capitais (a partir de um milhão de euros).

Rui Machete falava durante a assinatura de um protocolo sobre emissão de vistos para turistas oriundos de mercados com interesse estratégico do sector do turismo. O ministro da Economia, António Pires de Lima, que destacou a importância de serem alocados “meios e recursos para abrir o mercado nacional a um número muito considerável de novos turistas”. “Com este protocolo, o Estado agiliza, no estrito e rigoroso cumprimento de todas as regras legais de segurança, de controlo de fronteiras e de acesso ao Espaço Schengen, a emissão de vistos que possibilitem a vinda de dezenas de milhares de turistas para Portugal”, disse.

De acordo com os dados do ministro da Economia, na China, por exemplo, espera-se que o acordo permita um aumento significativo do fluxo turístico num mercado que emite mais de 83 milhões de turistas internacionais e que é responsável pelo primeiro lugar no ranking de gastos turísticos no exterior. “Sabemos que 4,5% dos turistas chineses viajam para a Europa e que Espanha representa já 10% desse mercado, cerca de 400 mil turistas”, acrescentou.

Perante a preferência pela compra de imóveis, a investida do sector imobiliário tem-se traduzido na realização de salões imobiliários e na participação de workshops de sensibilização promovidos nos principais mercados, em articulação com o Turismo de Portugal.

Para Pires de Lima, o aumento da procura por Portugal poderá potenciar, neste caso, a existência de uma ligação aérea directa, o que “seria muito desejável, sendo este um factor decisivo para o crescimento do mercado”.

O governante citou ainda um relatório da Comissão Europeia, onde se estima que em 2012, devido ao regime de vistos, os países membros do Espaço Schengen (onde se inclui Portugal) tenham perdido mais de 6,5 milhões de potenciais turistas provenientes de seis mercados emissores e onde se incluem precisamente a China, a Índia e a Rússia.