NSA intercepta computadores adquiridos online para os colocar sob escuta

A Agência Nacional de Segurança norte-americana tem trabalhado com o FBI e a CIA para ter acesso directo a equipamento electrónico encomendado na Internet pelos seus alvos.

Operação montada permite comprometer equipamento de marcas de alcance mundial
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Operação montada permite comprometer equipamento de marcas de alcance mundial Kacper Pempel/Reuters

A unidade de elite da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, conhecida pela sigla TAO (Tailored Access Operations), tem interceptado encomendas de material electrónico para colocar sob escuta computadores e outros dispositivos. O equipamento, por norma adquirido online, é interceptado pelos agentes antes de chegar ao destino.

A notícia é avançada neste domingo pela Der Spiegel, que cita documentos internos da NSA (embora não mencione o antigo analista da agência Edward Snowden como fonte). Segundo a revista alemã, o FBI e a CIA têm colaborado nesta sofisticada acção de espionagem, ajudando a desviar as encomendas para as “oficinas secretas” da NSA e a fazer lá chegar os especialistas informáticos que manipulam o equipamento antes de este chegar aos seus donos.

A prática é rotineira e consiste em instalar software ou hardware malicioso nos equipamentos, permitindo à NSA ter acesso remoto aos computadores e a atacá-los com vírus informáticos. Neste último caso, são usadas as informações obtidas através dos banais relatórios de erro do sistema operativo (Windows, por exemplo) para conhecer as debilidades das máquinas.

O alcance da operação é desconhecido. Refere-se apenas que se trata de uma prática que visa os alvos da NSA. E nota-se que, ao contrário da maioria das operações da agência, esta requer acesso directo aos equipamentos de quem é espiado. Necessidade que obriga à realização de missões de risco, nas quais costumam ser envolvidos o FBI e a CIA.

A Der Spiegel dá ainda conta de um “catálogo de espião” através do qual os agentes da NSA têm acesso a programas informáticos ou a material que lhes permite colocar sob escuta equipamentos de marcas de grande alcance no mercado mundial — Cisco, Dell, Huawei, Juniper Networks, Maxtor, Samsung, Seagate e Western Digital.

O vice-presidente sénior da Cisco, John Stewart, reagiu à notícia para garantir aos clientes que a empresa “não trabalha com qualquer governo” para debilitar os seus produtos. “Estamos profundamente preocupados com tudo o que possa comprometer a integridade dos nossos produtos ou as redes dos nossos clientes”, acrescentou.