O atirador que matou 20 crianças em Sandy Hook era obcecado por massacres a tiro

Apresentado relatório final da investigação sobre o ataque de Adam Lanza na escola de Newtown, no Connecticut, há um ano

Homenagem às vítimas do massacre de Sandy Hook
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Homenagem às vítimas do massacre de Sandy Hook TIMOTHY A. CLARY/AFP

O atirador que matou 20 crianças e seis adultos na escola Sandy Hook, em Newtown há um ano, antes de se matar a si próprio, tinha uma “obsessão” com o massacre no liceu de Columbine, revela o relatório final da investigação sobre este assassínio em massa, colocado esta segunda-feira à noite no site do Departamento de Justiça do estado do Connecticut (EUA).

O que levou Adam Lanza, de 20 anos, a atacar a escola primária a 14 de Dezembro de 2012 “pode nunca vir a ser conhecido”, diz o relatório da investigação policial. “As provas mostram claramente que planeou os seus actos, inclusivamente o seu suicídio, mas não há nenhuma indicação clara do motivo porque o fez, ou porque escolheu a escola primária de Sandy Hook”, lê-se no documento de 48 páginas.

Sabe-se sim que Lanza tinha problemas mentais — em 2005 foi-lhe diagnosticada a síndrome de Asperger, uma desordem do espectro autista que se caracteriza por grandes dificuldades nas interacções sociais e na comunicação não-verba - mas que não costuma ser associada a actos criminosos ou violentos. As pessoas afectadas apresentam padrões de comportamento repetitivos, mas, ao contrário de outras formas de autismo, os doentes de Asperger preservam as suas capacidades linguísticas e o desenvolvimento cognitivo.

Se a sua doença mental contribuiu de alguma forma para a decisão de atacar a escola onde ele próprio fez a escola primária, não se sabe. Os profissionais de saúde que lidaram com ele não viram qualquer sinal de que pudesse vir a fazer tal acto.

Outras pessoas que contactaram com ele, no entanto, relataram que Adam Lanza tinha uma obsessão por assassínios em massa e, em particular, com o ataque protagonizado por dois estudantes da Escola Secundária de Columbine, no Colorado, a 20 de Abril de 1999, em que mataram a tiro 12 estudantes e um professor, antes de se matarem a si próprios.

Por outro lado, o jovem Lanza tinha acesso a armas de fogo — a mãe praticava tiro desde jovem e iniciou os seus filhos na prática, como hobby. Embora não tivesse licença de porte de armas, costumava ir com a mãe praticar tiro. A arma com que se matou, uma Glock 20m — uma pistola de 10 milímetros —, era a sua preferida.

Durante a investigação, a polícia descobriu, pelo GPS do carro, que Lanza se tinha deslocado até à escola Sandy Hook no dia anterior.

Em casa, na cave, onde ficava a área de jogos de vídeo, a polícia descobriu vários jogos — uns violentos, outros não — e também alguns recortes que revelavam a sua obsessão com assassínios. Por exemplo, fotocópias de artigos de jornais de 1891 que falam sobre a morte a tiro de alunos de escolas e um outro do New York Times de 2008, que fala sobre um tiroteio na Universidade do Norte do Illinois.

O seu computador foi em grande parte inutilizado — ele reformatava-o frequentemente — mas a polícia conseguiu descobrir uma folha de cálculo com informação relativa a vários assassínios em massa, comparando-os entre si. Havia também vídeos de suicídios por tiro, e vídeos do atirador a apontar uma arma à cabeça.

Alterada dia 26 de Novembro às 11h21, para esclarecer que síndrome de Asperger não costuma estar a associada a actos violentos. Acrescentado link para artigo sobre o tema