Recuperação da zona euro está “atrasada” e fosso entre norte e sul é “cada vez maior”

Inquérito global a economistas de 120 países aponta para melhoria nas perspectivas económicas na zona euro entre três a cinco anos.

As periferias da zona euro têm falhado em impor o seu interesse comum, mas não outros grupos de países
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O crescimento da zona euro abrandou no terceiro trimestre KATARINA STOLTZ/REUTERS

O World Economic Survey, divulgado nesta quarta-feira, refere que a recuperação económica da zona euro está a ser mais lenta do que noutras regiões do mundo e alerta que o fosso entre as economias do Norte e as do Sul “é cada vez maior”.

Embora a confiança no espaço da moeda única tenha crescido, a situação económica no contexto global continua a ser desfavorável e a recuperação está “atrasada”, lê-se no documento publicado pela Câmara de Comércio Internacional (CCI) e o Instituto de pesquisa económica alemão Ifo. O documento resulta de um inquérito feito a mais de mil economistas em 120 países.

As razões referidas no estudo têm a ver com os elevados níveis desemprego, os défices orçamentais de vários países e a “fraca procura”. Ainda assim, os inquiridos estão mais confiantes quanto às perspectivas económicas para os próximos três a cinco anos.

O inquérito mostra Portugal, Grécia, Itália, Espanha e Chipre como países ainda em crise, enquanto a Alemanha e a Estónia surgem como as únicas economias avaliadas num nível de “satisfatório” a “bom”. A zona euro interrompeu, no segundo trimestre deste ano, o ciclo de recessão em que se encontrava há um ano e meio, mas o crescimento abrandou no terceiro trimestre – e as perspectivas de crescimento são ainda frágeis.

Com ritmos de progressão distintos entre as maiores economias, a moeda única avançou 0,1% entre Julho e Setembro (face aos três meses anteriores) e 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto a Alemanha registou um abrandamento da sua economia, França voltou a registar uma contracção do PIB em cadeia e Itália continuou em recessão.

Ao mesmo tempo, permanecem as dúvidas sobre a capacidade de alguns países manterem perspectivas de crescimento sustentáveis. Pressionados pelos parceiros europeus e os mercados a responderem à crise com medidas restritivas de consolidação das contas públicas, os países mais afectados pela espiral da crise das dívidas soberanas mantêm na agenda medidas de consolidação orçamental para os próximos anos, como é o caso de Portugal. E são países com elevados níveis de desemprego. Grécia (27,6% da população activa), Espanha (26,6%), Chipre (17,1%), Portugal (16,3%), Eslováquia (14%) e Irlanda (13,6%) são os países da moeda única com os maiores níveis de desemprego.

Quanto à economia global, o World Economic Survey refere que clima económico “vai dando esperanças de recuperação”, depois de um terceiro trimestre cauteloso.