Mais de um terço dos portugueses usam Internet para contactar a administração pública

Quase metade disse ter encontrado problemas nos sites do Estado, embora a grande maioria reconheça estar satisfeita com a utilização.

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À frente da tabela ficou, pelo segundo ano consecutivo, o site de Alfândega da Fé

Trinta e oito por cento das pessoas em Portugal entre os 16 e os 74 anos recorreram à Internet para contactar organismos da administração pública, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgados nesta quarta-feira. Contabilizando apenas os utilizadores de Internet, foram 58% aqueles que recorreram aos serviços públicos online.

Entregar a declaração de rendimentos foi, de longe, a actividade mais frequente, feita por 69% das pessoas que usaram os sites do Estado. Seguem-se o requerimento de prestações da segurança social (16%) e o pedido de documentos e certidões (14%). A Internet foi ainda usada para consultar o catálogo de bibliotecas públicas, fazer matrículas no ensino superior e pedir alterações de morada.

Quase metade dos que usaram sites da administração pública disseram ter encontrado problemas: 35% afirmaram ter encontrado falhas técnicas, 29% queixaram-se de informações “insuficientes, pouco claras ou desactualizadas” e 16% consideram não ter tido o apoio necessário para utilizar o site.

A grande maioria, porém, reconheceu estar satisfeita com a utilização dos sites públicos. Em três dos quatro indicadores avaliados pelo INE – facilidade de utilização, utilidade da informação e facilidade em encontrar informação – a taxa de satisfação foi superior a 80%. Já no que diz respeito à possibilidade de acompanhar o pedido feito, o valor desce, com 62% a declararem estar “maioritariamente satisfeitos”.

O Governo tem planos para reduzir as taxas de quem usa os serviços públicos através da Internet. A ideia passa ainda por aplicar uma taxa intermédia para quem recorra ao mediador digital, uma figura criada para auxiliar os cidadãos na utilização dos serviços públicos digitais.

Os números fazem parte do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias, que o INE divulga anualmente.

Os dados mostram também que 67% dos agregados familiares têm computador em casa e 62% têm Internet de banda larga. Embora sejam um aumento face ao ano anterior, estes valores indicam uma desaceleração do crescimento destes indicadores, nota o INE. 

Os utilizadores de Internet em Portugal são também pouco adeptos de compras online: 15% recorreram ao comércio electrónico, uma actividade que é mais populares na faixa etária entre os 25 e os 34 anos, na qual 30% dos inquiridos disseram fazer este tipo de compras.