Os olhos das renas mudam de cor conforme as estações

Dourados durante o Verão árctico, os olhos das renas viram azul profundo no Inverno. Isso maximiza a acuidade visual destes animais nas condições extremas de luz e escuridão das latitudes boreais.

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As renas são o único mamífero conhecido cuja cor dos olhos muda ao longo do ano AFP-DPA-FEDERICO GAMBARINI

Como é isso possível? Acontece que, tal como muitos outros animais, as renas possuem uma camada de tecido – chamada tapetum lucidum –, situada por trás da retina, que reflecte uma parte da luz que entra nos olhos. E é essa camada que muda de cor, conclui, na revista Proceedings of the Royal Society B, a equipa de Glen Jeffery, do University College de Londres, juntamente com colegas da Universidade de Tromsø, na Noruega.

Na luminosidade intensa do Verão árctico, o tapetum lucidum adquire uma cor dourada, reflectindo assim a maior parte da luz que recebe, que volta a atravessar a retina e a sair do olho. Mas no Inverno, durante os seis meses em que a escuridão reina, o azul profundo do tapetum lucidum garante que uma menor quantidade de luz seja reflectida, permitindo que uma maior quantidade de luz atinja os foto-receptores situados no fundo dos olhos e aguçando portanto a visão nocturna das renas.

Os cientistas pensam que isso faz, em particular, com que estes animais consigam detectar mais facilmente, na escassa luz invernal, não só os seus predadores mas também os líquenes com que se alimentam. “Isto confere às renas uma vantagem quando se trata de avistar predadores, o que lhes pode salvar a vida”, diz Jeffery em comunicado, salientando ainda que “esta é a primeira vez que uma mudança de cor deste tipo é descoberta num mamífero”.

É possível que a mudança de cor do tapetum lucidum de dourado para azul seja devida a um aumento da pressão intra-ocular, que comprime essa camada de tecido, especulam ainda.

E, quem sabe, a mudança da cor dos olhos talvez faça aumentar a sensibilidade das renas à radiação ultravioleta. A mesma equipa já mostrou, num estudo anterior, que as renas têm visão ultravioleta, uma radiação muito abundante na luz do Árctico – e é possível que o azul profundo dos olhos favoreça este tipo de visão extrema.