PSD-Madeira expulsou 40 militantes depois das eleições autárquicas

O "processo liminar" contra apoiantes ou candidatos de outras listas foi requerido por Alberto João Jardim.

Alberto João Jardim, em Maio, no Congresso do PSD
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Alberto João Jardim Rui Gaudêncio

O conselho de jurisdição regional do PSD-Madeira instruiu cerca de 40 processos de expulsão de militantes do partido, por participação ou apoio a listas adversárias nas eleições autárquicas, em que perdeu sete dos 11 concelhos com que domina todo o poder local no arquipélago.

O “processo liminar” de expulsão foi requerido pelo presidente da comissão politica, Alberto João Jardim, e fundamenta-se nos estatutos nacionais do PSD, segundo os quais “cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral nacional, regional ou local na qualidade de candidatos, mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da candidatura apresentada pelo PPD/PSD”.

A maioria dos expulsos, num total de 30, é proveniente dos concelhos de São Vicente e do Porto Santo, onde ex-militantes do PSD lideraram candidaturas, vencedoras, no primeiro caso de independentes, apoiados pelo PS e CDS, e no segundo município, sob a sigla socialistas.

As restantes desvinculações são da Ponta do Sol e do Monte, no Funchal, relativas a ex-social-democratas que concorreram, como independentes, àquela câmara e junta de freguesia. Por concluir estão os processos envolvendo Humberto Vasconcelos, antigo presidente de São Vicente, Simplício Pestana, ex-presidente da junta do Imaculado, no Funchal, e Gabriel Farinha, antigo presidente do Porto Moniz.

Jardim, em artigo publicado esta segunda-feira no Jornal da Madeira, diz que está a “ser atacado dentro do PSD por ter provocado a expulsão de oportunistas vira-casacas que, não lhes sendo concedido o que pretendiam, nem lhes amparados 'negócios', candidataram-se contra o 'seu' próprio PSD”.

Insurgindo-se contra “ toda esta beberagem de gente sem espinha dorsal”, o líder do PSD-Madeira acusa Miguel Albuquerque, ex-presidente da Câmara do Funchal, de “irresponsabilidade” e de ter deixado “marcas de autodestruição profundas no PSD/Madeira, ao ponto de esse grupo também ter militantes eleitoralmente contra o próprio partido”.

“Só a ideia dele [Albuquerque] de recuperar todos os que traíram expressam um carácter, bem como o deboche em que se pretende transformar o PSD/Madeira, e ainda arrogar a Comissão Política Regional a uma competência que não tem”, escreve Jardim.

“A agravar tudo isto, outros personagens do PSD/Madeira, até agora sempre fieis ao percurso regional do partido, também lhes deu para uma certa irrequietude na praça pública, como a se procurarem posicionar para o futuro, dando uma imagem de implosão do antes poderosamente unido PSD regional, esses tristemente vomitando o fel da deslealdade imperdoável”, queixa-se o líder madeirense.