BE apela ao voto e avisa que abstenção é “dar um prémio” ao Governo

A coordenadora do BE incita os abstencionistas a votarem para mostrarem ao Governo e à troika o seu descontentamento.
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A coordenadora do BE incita os abstencionistas a votarem para mostrarem ao Governo e à troika o seu descontentamento. Nuno Ferreira Santos

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, fez esta quinta-feira um forte apelo ao voto no partido no próximo domingo, afirmando que optar pela abstenção “é dar mais força” e “um prémio” ao Governo.

“O grande apelo que fazemos a toda a gente é que vá votar, nada seria um melhor presente a Pedro Passos Coelho, a Paulo Portas ou à troika do que a abstenção”, disse Catarina Martins aos jornalistas, no final de uma visita à feira de Gondomar, que contou com a presença do ex-coordenador Francisco Louçã.

Para a coordenadora, a presença de todos nas urnas, “com o seu voto a exigir uma outra política, a dizer que este programa de ajustamento e a troika não são solução, é o voto certo para tirar Portugal da crise”.

“Estamos na recta final da campanha eleitoral. Quem acha que a política não serviu bem, quem acha que os responsáveis políticos falharam no que prometeram, a solução não é não ir votar. Porque a abstenção é dar mais força ao que está e, portanto, a solução tem que ser um voto claro, firme na exigência de uma outra política, esse voto será o voto no BE”, disse, acrescentando que “a abstenção é dar um prémio à política da direita, que tem empobrecido e tem criado desemprego em Portugal”.

Sobre as declarações do primeiro-ministro, que disse que a economia portuguesa “está a dar a volta”, Catarina Martins respondeu que a afirmação de Pedro Passos Coelho “não tem qualquer adesão à realidade”.

“Sabemos que a economia portuguesa se continua a afundar quando olhamos para a execução orçamental, quando vemos que os impostos indirectos estão a cair e aquilo que sobe é o IRS”, disse a coordenadora bloquista.

“As pessoas ganham cada vez menos salário e cada vez pagam mais impostos. É a imagem de um Governo que destrói um país e não há nenhum discurso de polícia bom, polícia mau que possa esconder a realidade que as pessoas sentem todos os dias em suas casas”, disse.

A responsável preferiu não tirar qualquer ilação sobre a possibilidade de a abstenção ser grande no domingo, referindo que, sendo a democracia “algo de denso, muito participado, que precisa de toda a gente”, neste processo eleitoral todos são “precisos para virar à esquerda, para dar a volta à crise”.

“Sabemos que a resposta no momento de crise não é menos democracia, é mais democracia. Todos os votos no dia 29 valem o mesmo, é o dia em que todos temos o mesmo poder e temos que usar esse poder”, concluiu.

Em declarações aos jornalistas, Francisco Louçã afirmou que um primeiro-ministro que “quer cortar as pensões a partir de 1 de Janeiro não está a dar boas notícias” quando afirma que a economia “está a dar a volta”. “É altura de falar as coisas como elas são: um primeiro-ministro que foge à verdade, que foge à responsabilidade, só merece ser castigado pelo povo que ele está a fazer sofrer” nas eleições de domingo, sublinhou.

Para Louçã, nesta fase final da campanha, é “preciso um grande combate à abstenção”, impedindo assim “deixar Passos Coelho fazer tudo o que ele quer, tudo o que a troika manda, tudo o que Paulo Portas quer fazer contra as pensões”.

“Quando olho para o Governo, vejo um ministro que faz da política um jogo, Paulo Portas; vejo Maria Luís Albuquerque, que mentiu ao país e já nos custou dois mil milhões de euros só em truques e cheques para o sistema bancário; e vejo Rui Machete, que se esqueceu de ter metido ao bolso algumas dezenas de milhares de euros por favorecimento de um banco dos amigos. Portanto, percebo que toda esta gente só olha para a política como uma forma de benefício, de promoção de interesses, de favorecimento e de destruição de Portugal, e por isso é tão importante que haja uma resposta consistente” numa “esquerda consistente” no domingo, afirmou.