Estudo indica que privacidade é a razão mais frequente para deixar o Facebook

Os que abandonaram a rede social eram, em média, mais velhos e tinham menos amigos, mas passavam ligeiramente mais tempo no site.

Os ex-utilizadores tinham em média 31 anos e 133 "amigos"
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Os ex-utilizadores tinham em média 31 anos e 133 "amigos" Joel Saget/AFP

Uma amostra de ex-utilizadores do Facebook indicou que preocupações relacionadas com a privacidade são a causa mais frequente para deixar aquela rede social, a que se juntam factores como a perda de tempo e a artificialidade das amizades online.

As conclusões são de um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Viena, na Áustria, publicado este mês numa revista científica da especialidade, chamada Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking.

O objectivo dos investigadores era encontrar motivações e traços de personalidade que distingam as pessoas que usam o Facebook e aquelas que abandonam a rede social, fenómeno que designam como “suicídio da identidade virtual”. A amostra, não representativa, incluía 310 pessoas, de vários países, que tinham deixado o site, e 321 que eram utilizadoras.

As preocupações com a privacidade foram referidas por 48,3% dos ex-utilizadores, a quem foi pedido que explicassem, por escrito, os motivos para o abandono. O segundo motivo mais frequente, referido por 13,5%, foi um sentimento de insatisfação (onde os investigadores incluíram as respostas que se referiam a questões como alterações no design do Facebook, desagrado com a posição de “monopólio” e perda de tempo).

Os inquiridos referiram ainda aspectos negativos relacionados com as amizades online, entre os quais a pressão social para aceitar novos “amigos” e para comunicar, conversas superficiais e “amigos que não são reais” – 12,6% das respostas dadas pelos inquiridos referiam estes factores. Por fim, 6% referiram estarem a ficar viciados no Facebook (os ex-utilizadores tinham também uma maior tendência para afirmarem estar viciados na Internet em geral). Houve ainda 19,6% que apontaram outras causas que não se integravam em nenhuma das categorias usadas no estudo, e que iam de assédios online a simples perda de interesse.

Através de uma análise de personalidade, os investigadores notaram ainda que os ex-utilizadores tendem a ser ligeiramente mais escrupulosos do que os que usam o Facebook, mas afirmaram não ter encontrado um perfil definido para os que decidiram deixar o site.

O estudo descobriu ainda outras diferenças: as pessoas que deixaram o Facebook tinham uma idade média de 31 anos e 133 “amigos”. Já os que eram utilizadores tinham, em média, 24 anos e 349 “amigos”. Os desistentes passavam também ligeiramente mais tempo a usar o Facebook: 1,9 horas diárias, contra 1,8 horas por parte dos utilizadores.