Assad diz que os EUA "devem estar preparados para tudo" se atacarem a Síria

Presidente sírio diz que os seus soldados não estão nas zonas onde aconteceram os ataques.

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Assad diz que só soube dos ataques através de vídeos e fotografias AFP (arquivo)

Domingo, a CBS adiantou que Assad afirmara não haver provas de que o seu regime usou armas químicas, ao contrário do que alega Washington, mas só nesta segunda-feira passou os primeiros excertos da entrevista. “O Exército sírio não está na área onde os alegados ataques químicos aconteceram. Não temos a certeza de que alguma coisa aconteceu”, disse o Presidente sírio quando questionado sobre os ataques de 21 de Agosto em Ghutta oriental e no subúrbio de Muadamyia, a oeste, acrescentando que tudo o que o Governo tem sobre o sucedido “são imagens, vídeos e denúncias”.

Mais à frente na entrevista, a que respondeu em inglês, o Presidente sírio acusa o chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, de mentir quando diz que os Estados Unidos têm provas de que foram as suas forças a lançar rockets com gases tóxicos. “Ele apresentou as suas convicções. Mas não se trata de convicções, trata-se de provas. Os russos têm provas completamente opostas de que mísseis foram disparados das áreas controladas pelos rebeldes”, afirmou Assad. Na sua versão, vários soldados sírios “foram atacados com químicos” e “tiveram de ser hospitalizados por causa de armas químicas”.

Na parte já conhecida da entrevista, o Presidente sírio não nega que o país tenha armas químicas e chega quase a admiti-lo quando o jornalista Charlie Rose lhe pergunta se os EUA devem preparar-se para represálias contra as suas bases na região. “Devem estar preparados para tudo e não necessariamente através de governos. Os governos não são os únicos actores da região, há diferentes partes, diferentes facções, diferentes ideologias.” O jornalista insiste: estas represálias poderiam incluir ataques químicos? Assad responde que isso depende se os rebeldes ou os grupos islamistas que os apoiam tem acesso a armas químicas. “Pode acontecer, não sei, não sou adivinho”.