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Megafone

É quase isso: tudo sobre gin

A preparação de um gin é espectacular e assustadora. Espectacular, porque há todo um conjunto de rituais que vai ordenar as moléculas do líquido. Assustadora, porque os objectos utilizados podem, muito bem, ser objectos de tortura do séc. XVIII

Escrevo este texto com uma mão. A outra segura um copo de gin. Já seguraram um copo de gin? Sobreviveram? Espero poder dizer o mesmo. Ou seja, acabar este texto.

 

Com dois braços.

 

A moda do gin mudou o panorama da noite. Mudou, logo para começar, o horizonte cromático: há mais cores num balcão de garrafas de gin do que numa camisa do Manuel Luís Goucha. É fofo. O balcão, claro.

 

E os copos? Enormes. Não dou dois anos e estaremos a sair à noite com aqueles baldes de brincar na praia. Assim, juntamos três valias: um recipiente com espaço para o gin, uma noite mais colorida e estilo.

 

Pensando bem, são só duas valias.

 

A preparação de um gin é espectacular e assustadora. Espectacular, porque há todo um conjunto de rituais que vai ordenar as moléculas do líquido, numa combinação que se quer perfeita. Se o processo for bem feito, o próprio Universo fica em equilíbrio, no final.

 

Mas também é assustador. Os objectos que estão envolvidos na preparação de um gin tanto podem ser usados para esse efeito, como num processo de tortura à moda do séc. XVIII. Tanto se corta uma casca de limão, como se arranca uma unha.

 

Já viram o filme “Braveheart”? Há uma cena em que os testículos do William Wallace são vilipendiados por uns objectos assustadores. Os indivíduos que levaram a cabo esse acto desumano reuniram-se, mais tarde, para beber um bom gin. E os objectos vilipendiaram limões e frutos silvestres. E cenas.

 

Isto demonstra que os indivíduos eram cruéis e, muito pior, uns desleixados, sem noções nenhumas de higiene.

 

E as especiarias? Há tantas especiarias que podem ser usadas num gin que, certas pessoas, só de olharem para elas, espirram e lacrimejam. Outras lacrimejam quando chega a hora de pagar os gins de uma noite de loucura.

 

Há quem diga que há mais formas de iniciar uma partida de xadrez do que partículas no Universo. Quem fez esta metáfora até foi criativo, mas a mesma já não é actual. Vou dar o meu contributo.

 

“Se uma pessoa provar cada um dos 4930589685904235309 tipos de gin, não é possível começar uma partida de xadrez, porque o Universo colapsou. Pelo menos, para essa pessoa.”

 

O gin tem estilo. Dá estilo. Embebeda, como o resto das bebidas alcoólicas. Só tem um mal: a ressaca não tem mais estilo do que as outras.

 

PS: Aposto que fui o primeiro, na História, a escrever “testículos” e “vilipendiados”, na mesma frase.

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