Manning pede desculpa por danos aos EUA

Primeira declaração em que militar lamenta ter passado informação classificada à WikiLeaks, quando está prestes a conhecer a sentença.

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Manning saindo de uma audiência no final de Julho. Na próxima semana será anunciada a pena Mandel Ngan/AFP

O soldado norte-americano Bradley Manning, condenado no mês passado por ter passado uma enorme quantidade de documentos à WikiLeaks, disse lamentar as suas acções e ter prejudicado os Estados Unidos.

A declaração de quarta-feira foi a primeira em que Manning lamentou publicamente a acção, que levou à maior fuga de informação classificada da história dos EUA, e pela qual foi preso em 2010.

Manning, de 25 anos, foi condenado na semana passada por vários crimes no âmbito da Lei da Espionagem, mas foi declarado inocente do crime de “ajuda ao inimigo” - porque a informação divulgada pela WikiLeaks poderia ser usada eventualmente pela Al-Qaeda, alegava a acusação - , que lhe teria valido uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.<_o3a_p>

Assim, enfrenta uma pena máxima de 90 anos de prisão. <_o3a_p>

“Percebo que tenho de pagar o preço”, disse, na declaração feita ao tribunal (num formato em que não podia ser contra-interrogado, numa sessão para o processo de decisão da pena, que será anunciada na próxima semana).<_o3a_p>

“Lamento as consequências não intencionais das minhas acções. Quando as tomei, acreditei que estava a ajudar pessoas, não a prejudicá-las”.<_o3a_p>

A declaração seguiu-se a três dias em que a defesa de Manning chamou testemunhas que pudessem ajudar a conseguir uma sentença mais leve para o analista de informação, que fez download de 700 mil ficheiros classificados enquanto estava colocado no Iraque e os passou ao site anti-secretismo WikiLeaks.<_o3a_p>

Na sua declaração, Manning disse que estava a “lidar com uma série de coisas” que embora não fossem uma desculpa para a sua acção, mas sublinhou que não tinha considerado “completamente todos os efeitos alargados das minhas acções”.

Os advogados dizem que Manning mostrava claros sinais de problemas de saúde mental e que o Exército não o deveria ter enviado para uma zona de guerra nem o ter deixado ter acesso a informação confidencial. <_o3a_p>

O psicólogo clínico Michael Worsley tinha recebido um email de Manning com uma foto do soldado de baton e peruca loura, com o título “o meu problema”. Manning dizia no email que pensava que este “problema” iria “desaparecer” com uma carreira militar.

Até agora, Manning tinha tentado sempre justificar as suas acções, dizendo que pretendera provocar um debate global sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão. “Quando olho para as minhas decisões, pergunto-me como é que eu pude pensar que poderia mudar o mundo. Era um simples analista.”<_o3a_p>