Portugal "lamenta incómodo" causado a Evo Morales mas afasta responsabilidades

Ministério dos Negócios Estrangeiros cancelou aterragem e sobrevoo do avião do Presidente da Bolívia na segunda-feira "por considerações técnicas", mas voltou a autorizar sobrevoo no mesmo dia. Acusa Bolívia de insistir "num procedimento que teria violado a soberania portuguesa".

O avião que transporta Evo Morales teve de aterra em Viena
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O avião que transporta Evo Morales teve de aterra em Viena PATRICK DOMINGO/AFP

O avião que transportava o Presidente da Bolívia, Evo Morales, foi impedido de sobrevoar e aterrar para reabastecimento em Lisboa ainda antes de ter levantado voo de Moscovo, na segunda-feira. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português refere apenas que a decisão foi tomada por "considerações técnicas", lamenta "qualquer incómodo junto das autoridades bolivianas", mas considera-se “totalmente alheio a esse incómodo".

Em comunicado, o gabinete de imprensa do ministério avança que o plano de voo do avião Falcon 900EX da Força Aérea da Bolívia foi autorizado pelas autoridades portuguesas no dia 28 de Junho, para uma viagem do Presidente Evo Morales à Rússia, com escalas em Lisboa em ambos os trajectos – La Paz/Moscovo e Moscovo/La Paz.

Essa autorização foi "cancelada por considerações técnicas" na segunda-feira, 1 de Julho, um dia antes da viagem de regresso de Evo Morales ao seu país.

"Perante o pedido de esclarecimento das autoridades bolivianas, recebido às 19h19 desse dia, foi esclarecido às 21h10 que as considerações de ordem técnica não obstavam ao sobrevoo do espaço aéreo nacional, tendo para tal sido expressamente concedida nova autorização de sobrevoo. Apenas a aterragem não seria possível por considerações técnicas", lê-se no comunicado.

O PÚBLICO tem tentado contactar o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Miguel Guedes, para obter mais informações e esclarecer que tipo de "considerações técnicas" levaram ao cancelamento da autorização de aterragem em Lisboa, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

Depois de terem recebido a informação de que o avião que transportava Evo Morales não poderia fazer escala em Portugal, "as autoridades bolivianas continuaram a insistir na aterragem do avião presidencial em Lisboa", refere o mesmo comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Como "as autoridades bolivianas continuaram a insistir na aterragem do avião presidencial em Lisboa", o Governo português desenvolveu "múltiplos contactos por via diplomática durante o dia 1 e durante o dia 2 de Julho", sem sucesso. O ministério frisa que "as autoridades bolivianas insistiram inicialmente em submeter junto das autoridades aeronáuticas internacionais um plano de voo que previa a aterragem em Lisboa para reabastecimento, plano que sabiam não seria possível cumprir como, repetidamente, fora em tempo comunicado".

Depois dos contactos entre as autoridades dos dois países, a Bolívia terá submetido um novo plano de voo ao final da tarde de terça-feira, com passagem pelo espaço aéreo português e aterragem para reabastecimento em Las Palmas, Espanha.

O comunicado refere ainda que as autoridades portuguesas só tiveram conhecimento da viagem do avião presidencial de Viena para Laz Paz nesta quarta-feira, frisando que "está autorizado hoje, como sempre esteve, o sobrevoo do território nacional". No ponto 3 do texto, o ministério afirma que no dia 1 de Julho, às 16h28, foi transmitido às autoridades da Bolívia que "a autorização de sobrevoo e aterragem, solicitada para o percurso de regresso Moscovo/La Paz, estava cancelada por considerações técnicas", e no ponto 9 declara que para o voo de Evo Morales de Moscovo para La Paz "está autorizado hoje, como sempre esteve, o sobrevoo do território nacional".

Embora ressalve que Portugal "lamenta qualquer incómodo junto das autoridades bolivianas", o ministério "considera-se totalmente alheio a esse incómodo, visto que foram as autoridades bolivianas que durante quase 24 horas não aceitaram estudar um percurso alternativo e insistiram num procedimento que teria violado a soberania portuguesa".