Obama não vai visitar Mandela ao hospital

Presidente dos EUA chegou sexta-feira à África do Sul. Este sábado, vai ter encontro privado com familiares do líder da luta anti-apartheid

Casal Obama recebido pelo presidente Jacob Zuma
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Casal Obama recebido pelo presidente Jacob Zuma AFP

O presidente norte-americano Barack Obama, em visita à África do Sul, não vai estar com o seu "herói pessoal" Nelson Mandela, por este se encontrar hospitalizado e em estado crítico num hospital de Pretória, informou a Casa Branca.

"O presidente e a primeira dama vão encontrar-se, em privado, com membros da família Mandela para apresentarem os seus votos e as suas preces neste momento difícil", revelou um responsável, citado pela AFP. "Por deferência a Nelson Mandela, pela sua paz, conforto e desejo da família, não vão visitar o hospital", acrescenta a Reuters.

O presidente realiza a sua segunda paragem na viagem a África, tendo começado a visita no Senegal onde, na sexta-feira, declarou não ter a sorte de tirar uma fotografia com o ícone mundial da liberdade e do perdão.

Barack Obama conheceu o herói da luta anti-apartheid em 2005 quando ainda era senador e, depois disso, falaram várias vezes ao telefone. Um novo encontro entre os dois homens, que foram os primeiros presidentes negros dos seus países, não foi possível devido ao estado de saúde de Nelson Mandela.

Depois de notícias de um agravamento do seu estado de saúde no passado domingo, nesta sexta-feira Winnie Mandela, ex-mulher, disse que o antigo Presidente tinha mostrado “melhorias consideráveis” durante a noite: “Não sou médica, mas o que posso dizer é que em relação ao estado dos últimos dias notei melhorias consideráveis. No entanto, clinicamente a situação ainda é muito preocupante.”

A poucos quarteirões do hospital onde Mandela está internado, em Pretória, numa das vigílias que se têm realizado nos últimos dias, o pintor nigeriano Sanusi Olatunji trouxe retratos dos dois homens. E disse à Reuters: “Estes são os dois grandes homens da minha vida. Para mim, Mandela é um profeta que trouxe paz e oportunidade. Ele tornou possível para um homem negro como eu viver num país que era só para brancos.”

O gesto de Sanusi Olatunji contrastou com o protesto organizado também em Pretória contra a visita do Presidente dos Estados Unidos nesta sexta-feira. Segundo testemunhou a Reuters, uma manifestação juntou cerca de 200 sindicalistas, estudantes e membros do Partido Comunista da África do Sul contra o que diziam ser a política externa “arrogante, egoísta e opressiva” de Barack Obama.

Expectativas frustradas
“Tínhamos expectativas relativamente ao primeiro Presidente negro dos Estados Unidos. Conhecendo a história de África, esperávamos mais”, disse Khomotso Makola, estudante de 19 anos. “Ele revelou-se uma desilusão. Acho que Mandela também se sentiria desiludido e defraudado nas suas expectativas.”

Tanto Makola como alguns manifestantes criticam sobretudo os ataques com drones pelas forças dos EUA noutros países e o não cumprimento da promessa de encerrar a base militar de Guantánamo em Cuba onde estão detidos suspeitos de terrorismo, alguns sem culpa formada.

Obama teve, este sábado, um encontro com o Presidente sul-africano Jacob Zuma e falará aos estudantes no bairro do Soweto, Joanesburgo. Amanhã, domingo, desloca-se à Cidade do Cabo e visita com Michelle Obama a cadeia de Robben Island, onde Mandela ficou 18 dos 27 anos em que esteve preso.