PS diz que Passos está em “agitação psicológica”

Os dois maiores partidos confirmaram o clima de hostilidades no Parlamento.

Incidente ocorreu durante o debate quinzenal com o líder do Governo
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Incidente ocorreu durante o debate quinzenal com o líder do Governo David Clifford (Arquivo)

Se dúvidas havia sobre o clima hostil entre o PSD e o PS – apesar da reunião entre os dois partidos - elas ficaram desfeitas esta quinta-feira à tarde no período de declarações políticas na Assembleia da República. O vice-presidente da bancada do PS José Junqueiro lançou um forte ataque ao Governo e a Passos Coelho. E deixou um elogio ao CDS.

“Nesta vertigem em que o Governo nos lançou o primeiro-ministro veio dizer, certamente, em contexto de agitação psicológica: ‘Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer com uma equipa de gente que pôs os interesses do país à frente dos seus próprios’”, disse Junqueiro, recordando as palavras de Passos Coelho ontem à noite, num balanço de dois anos de Governo.

O deputado considerou que com estas declarações o primeiro-ministro “perdeu o respeito por si próprio, tal como perdeu pelo país”. E quanto à equipa, Junqueiro ironizou: “Lembrei-me logo de Eduardo Catroga, António Borges, Nogueira Leite Miguel Relvas, entre outras figuras conhecidas pela sua filantropia, desapego aos bens”.

A frase do “orgulho” foi ainda o mote para o deputado concluir que o primeiro-ministro está em “delírio político” e sugerir que tenha rasgo para dar o primeiro passo para a sua saída e voluntária do seu Governo”. Junqueiro situou os encontros com todos os partidos marcados pelo líder do PS no contexto de “degradação política, social e económica e no anormal funcionamento das instituições”.

A deputada do PSD Nilza de Sena, que é vice-presidente do partido, qualificou as reuniões como “vazias de conteúdo”. Mais directo foi o deputado comunista João Oliveira ao questionar a bancada socialista “se é com o CDS que vai encontrar condições para uma política de esquerda”. José Junqueiro não respondeu à provocação, mas acabou por deixar um elogio à bancada centrista: “Se não fosse o CDS já o PSD tinha avançado com a taxa sobre as pensões”.

Momentos antes, numa declaração política, o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, também fez um balanço de dois anos de Governo, salientando “esforços” como os cortes sem precedentes na despesa ou o regresso aos mercados antecipados.

Em contraponto, o líder da bancada do PS, Carlos Zorrinho apontou vários anos de recuo em áreas como o desemprego. “Dois anos depois Portugal não tem Governo (…) este Governo é uma ilusão, é uma fantasia”, disse. Num clima pouco amigável, Montenegro respondeu: “Os senhores criaram este buraco, nãos e responsabilizam por ele e não contribuem para sairmos dele”.

Pedro Filipe Soares, líder da bancada bloquista, viria a recuperar a frase do orgulho de Passos Coelho. “É o orgulho do desemprego no país, é o orgulho a recessão. E é o orgulho de saber que os portugueses o vão por a andar”, rematou.

Pelo PCP, João Oliveira, na sua declaração política sobre os anos anos de Governo, disse interpelar o Presidente da República com as críticas à política que perspectiva “o aprofundamento da recessão económica, o agravamento do desemprego e o crescente endividamento do Estado e a degradação das contas públicas”.

O deputado comunista traçou um cenário negro: “O resultado destes dois anos de governo PSD/CDS sob o manto do pacto da troika é um país cada vez mais próximo de se tornar ingovernável económica e socialmente”. Numa intervenção em que pediu a demissão do Governo e a dissolução da Assembleia da República, João Oliveira considerou serem “cada vez mais as vozes” que se levantam exigindo a ruptura com o pacto da troika, a renegociação da dívida”.