Morreu Tom Sharpe, o homem que escreveu Wilt

O autor tinha 85 anos e vivia em Espanha há mais de duas décadas.

O autor não deixou de escrever, mas, durante um período, considerou que o seu trabalho não merecia ser publicado
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O autor não deixou de escrever, mas, durante um período, considerou que o seu trabalho não merecia ser publicado

O escritor britânico Tom Sharpe, autor de vários romances mas que ficou celebre sobretudo pela série Wilt – a história trágico-cómica de um frustrado professor de literatura–, morreu, aos 85 anos, na localidade de Llafranc, na região catalã de Girona, Espanha, onde vivia há 22 anos.

Foi só em 1971, aos 43 anos, que Tom Sharpe iniciou a sua carreira como escritor. Publicou então o seu primeiro romance, usando já o humor corrosivo que caracterizaria toda a sua obra. O primeiro livro da série Wilt surgiu em 1976, e foi um êxito tal que o autor não mais largaria a personagem, Henry Wilt, ao qual voltou mais cinco vezes ao longo das décadas seguintes. O último livro da série, O Legado de Wilt, foi publicado em 2010.

O jornal The Guardian integra-o na “grande tradição dos romancistas cómicos britânicos”, e cita um crítico que o descreveu como um “PG Wodehouse com ácidos”, senhor de uma escrita que “transformou o mau gosto numa forma de arte”. Para além de Wilt, na sua obra destaca-se também Porterhouse Blue, de 1974, seguido por Grantchester Grind, de 1995, dois livros cuja acção decorre num colégio de Cambridge.

Tom Sharpe nasceu em Londres em 1928 e, recordava o El País, teve uma infância difícil durante a qual o pai, profundo admirador de Adolf Hitler, tentou inculcar-lhe ideias fascistas. Depois de ter feito os estudos em Cambridge e de ter passado pela Marinha, decidiu emigrar para a África do Sul. Foi precisamente esse país, e sobretudo o regime de apartheid, que lhe deu matéria para o seu primeiro romance, Riotous Assembley, de 1971, a que se seguiu Indecent Exposure (Atentado ao Pudor), publicado em 1973.

Em 1961, o regime sul-africano deportou-o precisamente devido às críticas ao apartheid, nomeadamente na peça The South Africans. Sharpe (que ainda passou o Natal de 1960 na cadeia) regressou à Inglaterra onde deu aulas em Cambridge a um grupo de alunos particularmente difícil, experiência que iria inspirar a saga Wilt. Nos últimos anos, publicou livros com menor frequência, em parte devido a complicações de saúde – sobre a longa interrupção entre 1984 (Wilt na Maior) e 1995 (Grantchester Grind) Sharpe disse que nunca deixara de escrever mas não considera o trabalho suficientemente bom para publicar.