Sair do país é opção para contornar desemprego, diz comissário europeu

László Andor afirma que "é importante que as pessoas estejam dispostas a mudar de país".

Comissário tentou manter algum optimismo em relação à evolução do desemprego em Portugal
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Comissário tentou manter algum optimismo em relação à evolução do desemprego em Portugal Nuno Ferreira Santos

Uma maior mobilidade na Europa, com a saída de trabalhadores dos países onde há mais desemprego, como Portugal, para outros na União Europeia (UE) onde a situação no mercado de trabalho seja melhor pode ser uma solução para o problema do desemprego, defendeu nesta quinta-feira o comissário do Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão.

"Uma maior mobilidade é parte da solução dos actuais problemas", afirmou László Andor, numa reunião com jornalistas portugueses em Bruxelas., explicando que há países com enorme desemprego, mas ao mesmo tempo há países com emprego". "É importante que as pessoas que procuram trabalho estejam dispostas a mudar de país. Isso é algo que deve ser encorajado e apoiado", disse.

Questionado sobre o efeito que a saída da população mais qualificada de Portugal poderia ter, o comissário disse que tal só seria preocupante se essas pessoas deixassem a Europa. "Se forem para um país dentro da UE, é possível que voltem, é mais fácil", diz, defendendo que "assim que a economia recuperar, o movimento de pessoas pode tornar-se mais circular".

No combate ao desemprego, o comissário destacou a proposta da Comissão Europeia, que está à espera da aprovação do orçamento da UE para entrar em vigor, de garantir às pessoas com menos de 25 anos nas regiões com mais de 25% de desemprego jovem uma oferta de emprego ou de formação.

E tentou manter algum optimismo em relação à evolução do desemprego em Portugal a prazo. "Temos de ser ambiciosos. Muito do actual desemprego está ligado à crise financeira. Primeiro tem de se resolver isso, mas depois devemos tentar reduzir o desemprego para valores abaixo dos registados antes da crise”, rematou.