Presidente do IHRU considera contas da Porto Vivo como “geometria variável”

Vítor Reis comenta que a SRU do Porto tem apresentado valores diferentes sobre o "prejuízo na operação das Cardosas".

Reabilitação do quarteirão das Cardosas continua a gerar polémica
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Reabilitação do quarteirão das Cardosas continua a gerar polémica Paulo Pimenta

O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) caracterizou esta quinta-feira as contas da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) como “geometria variável” e recusou que a Câmara Municipal do Porto seja porta-voz da SRU.

Em declarações à agência Lusa, Vítor Reis precisou que o IHRU reprovou as contas da SRU, mas indicou ao conselho de administração da sociedade o que fazer para as mesmas serem aprovadas. “Inicialmente, o prejuízo da operação das Cardosas era de 7,6 milhões de euros, depois passou a ser de quatro milhões e nas últimas contas de 5,5 milhões de euros”, notou o responsável, argumentando tratar-se de uma “geometria variável, o que é inaceitável”.

No dia 30 de Abril, fonte da autarquia do Porto informou a Lusa de que a SRU está a analisar como agir “do ponto de vista legal” ao chumbo das contas da empresa e à dívida de 2,5 milhões de euros do Governo. A par disso, “no plano político, estão a ser tentadas diversas vias para tentar explicar ao Governo a reabilitação urbana no Porto”, adiantou a mesma fonte.

O presidente do IHRU afirmou ainda “não reconhecer quaisquer poderes à Câmara Municipal do Porto para ser porta-voz da SRU”. “O IHRU reprovou as contas da SRU, mas deixou uma orientação clara”, acrescentou Vítor Reis, citando: “O conselho de administração proceda à reforma das contas da sociedade no que respeita à operação do quarteirão das Cardosas, de forma a assegurar a devida valorização dos activos existentes”. Ou seja, ao reprovar as contas, disse aos dirigentes da SRU o que fazer para as ter aprovadas.

O gabinete de comunicação da Câmara do Porto, há dois dias, adiantou que a “SRU está a ver com os advogados como tem de actuar, do ponto de vista legal, em face do impasse criado com a reprovação de todos os pontos da ordem de trabalhos [da assembleia geral de dia 18], designadamente as contas de 2012, e a manutenção da dívida do IHRU [Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana]”.

Detida em 40% pela autarquia e em 60% pelo Estado, através do IHRU, a SRU – Porto Vivo está desde Dezembro sem presidente, aguarda há um ano que o Estado reponha os prejuízos de 2,5 milhões de euros referentes a 2010 e 2011 e viu as contas de 2012 reprovadas pelo accionista maioritário na assembleia geral de 18 de Abril. 

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