Governo aberto a propostas para criar projecto no Museu de Arte Popular até 2014

Jorge Barreto Xavier será o secretário de Estado da Cultura
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Barreto Xavier pediu a revisão da legislação no ano passado Miguel Manso

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, afirmou esta quarta-feira, no parlamento, que está aberto a propostas dos agentes culturais para criar um projecto no Museu de Arte Popular, em Lisboa, até ao final de 2014.

O governante respondia na Assembleia da República a perguntas dos deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura sobre a situação do Museu de Arte Popular (MAP), em Belém, cujo espólio se encontra agora no Museu Nacional de Etnologia (MNE).

No final da audição parlamentar, em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado irá ouvir agentes culturais interessados em criar projectos para o museu localizado em Belém.

“O destino do museu não será um projecto museológico”, disse Jorge Barreto Xavier, acrescentando que o acervo, cujo edifício tem uma classificação de interesse público, “está a salvo no Museu Nacional de Etnologia, devidamente qualificado e classificado”.

Apesar de não possuir acervo actualmente, o MAP está aberto ao público de quarta-feira a domingo com uma pequena exposição sobre as suas origens, quando foi criado para a Exposição do Mundo Português, em 1940.

“Queremos ter um projecto para o museu até finais de 2014”, disse o secretário de Estado da Cultura à Lusa, sublinhando que “deve estar aberto à sociedade civil”.

O edifício do MAP foi classificado como monumento de interesse público pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC) em Junho do ano passado devido ao testemunho historiográfico e arquitectónico “de primeira importância” no país.

A classificação foi publicada nessa altura em Diário da República na portaria n.º 263/2012, fixando uma Zona Especial de Protecção (ZEP) em redor do edifício, abrangendo o Padrão dos Descobrimentos, o edifício do “Espelho de Água”, o edifício da Associação Naval de Lisboa e a Doca de Belém.

O edifício do MAP resulta da adaptação de antigos Pavilhões da Vida Popular, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940.

Na altura, na decisão da SEC pesaram “o valor estético e material intrínseco, o génio dos respectivos criadores, o interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, a sua concepção arquitectónica, urbanística e paisagista, e o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva”.

Inaugurado em 1948, oito anos após a Exposição do Mundo Português, o MAP tinha um acervo de cerca de 15 mil peças de actividades artesanais populares, desde cerâmica, brinquedos a cestaria, que se encontra guardado no MNE.

No interior do MAP, mantêm-se as pinturas murais criadas nos anos 1940 pelos artistas Manuel Lapa, Eduardo Anahory, Carlos Botelho, Estrela Faria e Paulo Ferreira.

O museu esteve para ser transformado em Museu da Língua Portuguesa, por iniciativa da então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, mas, depois da acção de um movimento cívico a favor da preservação do espaço simbólico, acabou por manter a finalidade original de albergar a arte popular do país.

Encerrado durante vários anos para obras de remodelação no interior, reabriu em Dezembro de 2010.

 

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