Trabalhadores e administração da Talaris chegam a acordo nas indemnizações por despedimento

Sindicato continua a contestar despedimento colectivo.

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Muitos particulares já utilizam o IBAN nas transferências PÚBLICO/Arquivo

Os trabalhadores e a administração da multinacional japonesa Talaris chegaram nesta quinta-feira a acordo em relação ao valor das indemnizações a receber, sendo inevitável o despedimento de 37 pessoas, disse à Lusa fonte sindical.

Paulo Ribeiro, dirigente do Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas (SIESI), declarou à agência Lusa que a empresa aceitou uma contraproposta apresentada pelos trabalhadores quanto ao valor a pagar pelas indemnizações por despedimento, que deverá ser concretizado até Junho. “A empresa aceitou valores superiores ao estabelecido na lei e outros benefícios”, referiu, sem adiantar pormenores. Fonte dos trabalhadores disse à Lusa que a Talaris vai pagar cerca de um salário e meio por cada ano de trabalho.

Apesar de o despedimento ser cada vez mais inevitável, sindicato e trabalhadores continuam a afirmar que “não há fundamentos para o despedimento colectivo”. Paulo Ribeiro explicou que se trata de “uma decisão baseada em premissas que não são verdadeiras, ao afirmar [a administração] que vai ter 30 mil euros negativos, quando as previsões que os trabalhadores têm indicam que vai atingir um milhão de euros de lucros”.

“A empresa tem resultados líquidos, exporta a maior parte da produção e está a usar a facilidade que existe em Portugal para fazer despedimentos colectivos para se deslocalizar”, defendeu o dirigente sindical, segundo o qual há, portanto, razões para “impugnar judicialmente o despedimento”, mas a decisão de recorrer aos tribunais compete agora aos trabalhadores, o que pode vir a acontecer. As hipóteses de avançar com outras formas de luta, entre as quais a greve, foram entretanto postas de parte.

A multinacional da única fábrica da Europa a produzir caixas de levantamento automático de dinheiro do tipo Multibanco (ATM), que tem 200 trabalhadores espalhados pelo país, tenciona encerrar as instalações em Sintra e transferir para a fábrica de Torres Vedras a logística e as áreas de apoio, como a manutenção.
Contudo, tenciona encerrar a linha de produção, que emprega 20 trabalhadores, e transferi-la para a China, e passar os departamentos de recursos humanos e o financeiro para Espanha. Com esta reestruturação, pretende avançar com um despedimento colectivo, dispensando 37 trabalhadores, parte dos quais da produção da fábrica.

A empresa, que foi adquirida em 2012 pela multinacional japonesa Glory, teve em 2011 um volume de negócios de 26 milhões de euros e 429 mil euros de resultados líquidos positivos, que em 2010 tinham sido de 1,4 milhões de euros.

Das 834 máquinas fabricadas, 700 foram para o mercado externo. Em Outubro, a empresa tinha ganhado um concurso para assegurar o serviço para a Caixa Geral de Depósitos durante três a cinco anos.