Opinião

Dos receios sobre as lâmpadas LED

Perguntas e respostas sobre lâmpadas LED

Na minha coluna no Times, falei de uma nova geração de lâmpadas LED. Duram 25 vezes mais que as lâmpadas comuns, consomem talvez um oitavo da electricidade, funcionam com reguladores de intensidade da luz, acendem imediatamente na máxima luminosidade e não aquecem. O custo tem sido sempre um grande inconveniente, mas reparei recentemente que os preços baixaram.

Esse artigo deu origem a muitos e-mails de leitores, provavelmente porque o LED significa mudança. E a mudança mete sempre medo. Eis alguns excertos, com as minhas respostas.

* Aquilo que a maior parte dos consumidores notarão nas lâmpadas LED é a cor. Refere, e é verdade, que se podem obter cores diferentes, e também diferentes tonalidades de branco, de um branco quente a um branco frio, passando por luz do dia. No entanto, nem todo o branco é igual. Duas lâmpadas, ambas com 2700 K (branco quente), podem gerar um efeito completamente diferente numa divisão.

A diferença reside no IRC (índice de reprodução de cor). As lâmpadas incandescentes têm um IRC de 100. Os LED muito maus têm um IRC de 50; os de qualidade média (a maior parte) têm um IRC de 80 a 85. Os LED muito bons têm um IRC superior a 90.

O IRC é uma forma de expressar quantas cores do arco-íris contém, de facto, a luz branca. As lâmpadas incandescentes contêm todas as cores do arco-íris e em igual medida.

Com lâmpadas LED de IRC baixo, a cor dos objectos fica estranha e o efeito é pouco subtil e um pouco fantasmagórico.

Uau! Bem, eu nunca tinha ouvido falar do IRC, e não consta das embalagens.

Só posso dizer que estou muito satisfeito com a cor da luz das lâmpadas Cree. Não tem nada a ver com a luz fraca e diluída das lâmpadas fluorescentes compactas que vão substituir, e não acho que o efeito seja estranho ou fantasmagórico.

Mas, se o IRC for uma preocupação, experimentem uma lâmpada só em casa antes de as substituírem todas.

* Porque não tenho lâmpadas LED: Ainda não encontrei uma à venda perto de mim que produzisse mais ou menos os mesmos lúmenes de uma lâmpada incandescente de 75 ou 100 W.

Muitos de vocês referiram este aspecto: as lâmpadas de 40 e 60 W que analisei não são suficientemente fortes para olhos cansados, leitura, trabalhos de pormenor, etc.

E têm razão. É possível comprar lâmpadas LED equivalentes a 75 e 100 W – há muitas na Internet –, mas ainda são caras (30 a 45 dólares).

* Em minha casa, as lâmpadas fluorescentes compactas não duram metade do tempo indicado na embalagem e, quando a parte electrónica se funde, deixa aquele cheiro desagradável a componente electrónico queimado de que a minha mulher não gosta nada. Alguns amigos já me disseram que estas lâmpadas, ao fundir, já causaram incêndios.

Lamento. No entanto, o meu artigo era sobre lâmpadas LED, e não sobre lâmpadas fluorescentes compactas. Basicamente, estas últimas consistem em tubos espiralados cheios de um gás que se ilumina. As lâmpadas LED utilizam minúsculos díodos emissores de luz, do tipo que vemos nalgumas lanternas e nos “flashes” dos smartphones.

* Porque é que não falou das lâmpadas LIFX do Kickstarter? Está a soldo da indústria de lâmpadas?

Basicamente, porque nunca tinha ouvido falar dessas lâmpadas. Mas agora já ouvi!

Parecem ser muito semelhantes ao conjunto Philips Hue que analisei, na medida em que estão são lâmpadas LED que se podem controlar com uma aplicação no telefone: luminosidade, temporização e cor. Mas a mais-valia das LIFX é que não precisam de encaminhador: a electrónica de rede está dentro da lâmpada.

E as LIFX ainda fazem mais: mudam de cor com o ritmo da música, por exemplo, ou avisam quando recebemos novas mensagens de e-mail.

Estas lâmpadas saíram-se muito bem no Kickstarter, pelo que agradaram, obviamente, ao público. Estou em contacto com os seus inventores e eles prometeram mandar-me uma para experimentar quando estiverem disponíveis.

* Fez aquilo que já muitos fizeram antes: elogiou as lâmpadas LED, sem falar na qualidade da luz.

Não importa se a lâmpada custa 200 dólares ou 50 cêntimos. Se a luz for feia e ler me fizer doer os olhos, para que é que a quero?

As lâmpadas fluorescentes compactas têm um austero cambiante azul. Algumas produzem uma tonalidade de amarelo “mais quente”. Mas a qualidade da luz que geram é péssima.

E mencionei a qualidade da luz, sim: na minha opinião, é excelente. Pode escolher entre “luz do dia” (mais branca) ou “mais quente” (mais amarela). Com algumas, como as Philips, pode regular para a cor que quiser: branco com um toque de azul ou de amarelo, por exemplo.

Mas não percebo porque é que continuamos a falar de lâmpadas fluorescentes compactas. A tecnologia LED é completamente diferente. A relação entre a qualidade de luz de uma lâmpada fluorescente compacta e a de uma LED é zero.

* Esqueceu-se de um ponto importante: por questões térmicas, não se deve instalar lâmpadas LED embutidas – no tecto, por exemplo.

Na verdade, fiz esta pergunta específica à Cree. O representante diz que se podem utilizar lâmpadas LED embutidas à vontade. “A lâmpada LED Cree pode ser utilizada nas mesmas aplicações de uma lâmpada incandescente. Desde que o ar possa circular, a lâmpada está concebida para funcionar devidamente.”

Sei que nem todas as lâmpadas correspondem a este requisito; vi avisos nas embalagens das lâmpadas 3M e Philips, por exemplo, para não serem utilizadas embutidas no tecto.

* Poderá haver problemas de interferências dos circuitos com frequências de rádio? Conheço uma pessoa que pôs lâmpadas LED no automatismo para abrir o portão da garagem e depois não conseguia abri-lo com o controlo remoto.

Não tive problemas nos meus testes, e também tenho portões de garagem automáticos.

* Não quero ser um velho do Restelo, mas tenho de perguntar: transmissor para ligar ao meu encaminhador de rede? A sério? É mesmo necessário perder tempo e dinheiro a ligar uma lâmpada à Internet?

Ao que sei, ainda se encontram tanto lâmpadas incandescentes como velas em muitas e boas lojas de artigos para o lar.

©2013 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.

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