Igreja Ortodoxa pede para Chipre começar a pensar numa saída do euro

Numa entrevista ao arcebispo Chrysostomos II, o chefe da Igreja Ortodoxa do Chipre disse estar disposto a hipotecar bens da Igreja para ajudar o estado.

Yannis Behrakis/Reuters
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Yannis Behrakis/Reuters Os cipriotas protestaram contra as medidas nas ruas de Nicósia

O chefe da Igreja Ortodoxa do Chipre, o arcebispo Chrysostomos II, declarou-se a favor da saída do seu país da zona euro, numa entrevista publicada hoje na Grécia.

“Com tal comportamento, o euro não se pode manter. Não estou a dizer que vai colapsar amanhã, mas com os cérebros que estão em Bruxelas, é certo que a longo termo não se manterá. O melhor é reflectir sobre os meios para sair”, afirmou o arcebispo ao jornal Realnews.

O religioso disse que não é fácil, mas também é preciso lembrar como se processou a entrada do Chipre na zona euro e quanto tempo foi gasto para tal.

Na quarta-feira, o líder da Igreja Ortodoxa ofereceu-se para ajudar o país a sair da crise financeira, colocando os bens da instituição à disposição do Governo.

“Todo o espólio da igreja está à disposição deste país para prevenir o colapso da economia”, disse o arcebispo após uma reunião com o presidente Nicos Anastasiades, horas depois de os deputados do país rejeitarem as condições do resgate europeu.

Crysostomos II confirmou ao jornal que a sua oferta de hipotecar os bens da Igreja para libertar recursos para o estado continua em vigor.

“O Presidente cipriota aceitou esta proposta” mas “existem problemas legais que devem ser resolvidos” e “há já estudos para encontrar uma fórmula adequada para que seja aprovado pelo parlamento e implementado, de modo a permitir a entrada de dinheiro”, disse.

O líder ortodoxo culpou o amadorismo do Ex-Presidente cipriota, o comunista Demetris Christofias, pela crise na ilha, que está ameaçada de insolvência dos seus bancos.

O governo cipriota está envolvido numa corrida contra o tempos para concluir, antes de segunda-feira, com os seus parceiros europeus um plano de resgate financeiro, após o parlamento rejeitar na terça-feira o projecto que previa o pagamento de um imposto sobre depósitos bancários.

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