Cientistas japoneses criaram 26 gerações de ratinhos clonados

Um ratinho foi clonado, as suas crias foram clonadas, as crias destas foram clonadas e por aí fora – 26 vezes ao todo. Segundo os autores, o trabalho mostra que é possível reproduzir em massa animais de grande valor, mesmo após a sua morte.

Ratinhos clonados da 24ª e da 25ª geração
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Ratinhos clonados da 24.ª e da 25.ª geração RIKEN, Japão

A equipa de Teruhiko Wakayama, do instituto Riken de Tóquio, no Japão, conseguiu gerar, por "reclonagem em série", 598 ratinhos iguais, numa experiência que se prolongou durante sete anos. “É de longe o projecto mais importante de clonagem de um mamífero realizado até aqui”, disse à AFP o investigador, cujos resultados foram publicados quinta-feira na revista Cell Stem Cell.

Um avanço que, segundo Wakayama, irá permitir, por exemplo, clonar uma vaca que produza grandes quantidades de leite ou um animal cuja carne seja particularmente saborosa.

A técnica utilizada – dita de transferência nuclear de células somáticas – é a mesma que permitiu clonar a ovelha Dolly. Consiste em extrair o núcleo (que contém o ADN) de uma célula do animal que se pretende clonar, para a seguir introduzi-la num ovócito de outra vaca, previamente esvaziado do seu próprio núcleo. Daí resulta um embrião que será implantado no útero de uma terceira vaca – uma "barriga de aluguer".

Para conseguirem reproduzir a clonagem sequencialmente, de geração em geração, os cientistas tiveram de introduzir uma série de alterações na técnica original – o que, segundo Wakayama, permitiu aumentar a taxa de sucesso da clonagem.

Embora os ratinhos clonados apresentassem certas anomalias, tais como uma placenta maior do que o normal, essas diferenças não puseram a vida dos animais em perigo nem se agravaram ao longo das clonagens sucessivas. O cientista afirma ainda que os ratinhos clonados apresentam características biológicas normais, têm uma longevidade comparável à dos ratinhos não clonados e possuem as capacidades reprodutoras habituais dos ratinhos.

“Vamos continuar esta experiência até ao fim”, acrescentou Wakayama. "Quero chegar ao ponto de poder afirmar que seria possível prolongar esta cadeia ao infinito.”

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