Fitch: bancos portugueses vão ter este ano um “fraco” desempenho

Só o Unicredit tem de angariar 7,9 mil milhões de euros
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Só o Unicredit tem de angariar 7,9 mil milhões de euros Sukree Sukplang/ Reuters

Os bancos portugueses vão continuar a registar imparidades para perdas com crédito, estima a agência de notação financeira Fitch, que prevê que a banca nacional tenha um “fraco desempenho” este ano.

Numa nota divulgada nesta quarta-feira, a agência de rating considera previsível que continue este ano o aumento do crédito malparado registado no segundo semestre de 2012 e que penalizou os resultados dos principais bancos. Isto porque, estima a Fitch, o Produto Interno Bruto (PIB) deve cair 1,5% e o desemprego atingir os 16,5% da população activa.

A agência diz mesmo que “espera um fraco desempenho dos bancos portugueses em 2013”, com a manutenção da pressão sobre os custos do financiamento a retalho, as baixas taxas de juro e os custos do capital dos bancos que recorreram à ajuda do Estado (BCP, BPI e Caixa Geral de Depósitos, entre os bancos que a agência segue). Apesar de os bancos deverem aumentar os juros dos novos empréstimos, a Fitch considera pouco provável que esse aumento compense estas perdas.

A ajudar os bancos estarão as operações no estrangeiro, apesar de a empresa de notação de crédito considerar que apenas o BPI e o BCP têm uma presença externa significativa. Ainda assim, considera “improvável” que a contribuição positiva, especialmente dos países africanos de língua portuguesa, compense o fraco desempenho dos bancos nas operações domésticas.

Para a Fitch, o corte de custos poderia ajudar a estabilizar os ganhos dos bancos, ainda que, diz, “muito já foi feito, com as operações domésticas reduzidas e optimizadas”.

Ao mesmo tempo que os bancos têm este ano pressões de rentabilidade e qualidade dos activos, segundo a Fitch, também beneficiam de estarem melhor tanto em termos de capital como de liquidez.

O rácio de transformação de depósitos em crédito desceu e alguns bancos têm tido oportunidade de emitir dívida. Ainda assim, diz a Fitch, esta janela pode ser de curta duração, pelo que diminuir a carteira de crédito e atrair depósitos continua a ser essencial para os bancos. Além disso, também o financiamento do Banco Central Europeu (BCE) deverá “permanecer significativo” até o financiamento nos mercados internacionais normalizar.

Em 2012, o BES e o BPI conseguiram regressar aos lucros, depois de no ano anterior terem tido prejuízos históricos. O banco liderado por Ricardo Salgado apresentou resultados positivos de 96,1 milhões de euros e o presidido por Fernando Ulrich de 249,1 milhões de euros. No entanto, os prejuízos do BCP e da CGD arrasaram, o ano passado, os resultados do sector bancário. Enquanto o BCP apresentou contas negativas em 1219 milhões de euros, o banco público apresentou prejuízos de 395 milhões de euros. O Santander Totta, que em 2011 tinha escapado à onda negativa, fechou 2012 com lucros de 250,2 milhões de euros.