Adriano Miranda
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Adriano Miranda

Exóticos em Braga: o Godzilla também adoece

Coelhos, porquinhos-da-índia, chinchilas, hamsters, papagaios, canários, periquitos e tartarugas semi-aquáticas. E ainda petauros do açúcar, esquilos, furões, serpentes...

Marta Castelejo tem uma ligadura, no pulso esquerdo, que é uma espécie de “medalha” da sua actividade como veterinária.

 

Há alguns anos, quando se preparava para dar uma injecção a uma cobra pitão, esta, não tão debilitada como aparentava, enrolou-se e apertou com demasiada força.

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Marta Castelejo e Ana Pina Cardoso, juntamente com um esquilo fêmea de nome Maria. Adriano Miranda

 

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O Godzilla é uma iguana que se encontrava em recobro na clínica Exóticos em Braga. Adriano Miranda

É assim o dia-a-dia da veterinária que fundou, em 2011, com a colega Andreia Fernandes, a clínica Exóticos em Braga.

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O esquilo fêmea Maria, nas mãos de Marta Castelejo. Adriano Miranda

 

“Tanto vejo um coelho como, a seguir, posso estar a ver uma serpente, o que é completamente diferente e constitui um desafio”, explica ao P3 Marta Castelejo, enquanto posa para a fotografia com Godzilla, a iguana que, como muitos outros exóticos, sentiu dificuldades na adaptação loja/casa.

 

Depois de ter descoberto o mundo dos animais exóticos, Marta, que nunca teve no seu horizonte a típica clínica de cães e gatos, “com o barulho e o cheiro característicos”, decidiu seguir essa via, aproveitando o facto de este ser um mercado ainda pouco explorado. Marta Castelejo aponta outras quatro clínicas semelhantes, em Portugal, situadas no Porto, Aveiro, Algés e Almada.

 

Aconselhamento e tratamento

Para além do tratamento dos animais, existe um serviço que a especialista aponta como fundamental.

 

“A consulta pré-compra é um dos serviços mais importantes. As pessoas deviam informar-se antes de comprar animais exóticos. Pelo menos, deviam trazer aqui os animais nos primeiros dias após a compra, o que evitaria muitos problemas. Por vezes, aparecem urgências que, uma semana antes, não eram urgência”, afirma.

 

Segundo Marta Castelejo, existe pouco conhecimento acerca dos cuidados de que precisam os animais exóticos. A proprietária da clínica de Braga considera que é necessário educar os clientes, embora reconheça que esse processo é lento.

 

“Noventa por cento dos problemas, senão mais, devem-se à falta de informação, que se traduz em mau maneio, má alimentação e falta de cuidados”, refere.

 

O momento da compra deste tipo de animais constitui uma mudança nos seus hábitos, pelo que é frequente que adoeçam. Falta de apetite, sonolência, mudança de cor ou perda de pêlo são alguns dos sinais a ter em conta.

 

Dos coelhos às tarântulas

Os coelhos são os animais mais comuns, mas também aparecem porquinhos-da-índia, chinchilas, hamsters, papagaios, canários, periquitos e tartarugas semi-aquáticas.

 

Com menor frequência, surgem petauros do açúcar, esquilos, furões e serpentes (“em Braga, existem algumas”).

 

“Já fomos ver avestruzes e porcos-miniatura, que são tudo menos miniatura, pois têm cerca de 60 ou 70 kg. Podem viver dentro de casa, como um cão ou um gato”, garante.

 

Tarântulas são visitas raras, o que Marta Castelejo aponta como positivo.

 

“A única pessoa que vê tarântulas sou eu, as minhas colegas têm repulsa. Não é um animal de que eu goste, é preciso ter alguma sensibilidade”, aponta.

 

A clínica

Esta clínica de animais exóticos está dividida em vários espaços, destinados a consultas e cirurgias, mas também ao recobro dos animais. Existe um laboratório e vários utensílios, como gaiolas, aquários e terrários. 

 

Entre os instrumentos mais comuns estão, entre outros, as toalhas, usadas como meio de contenção contra, por exemplo, bicadas de papagaio ou mordeduras de esquilos ou hamsters, ou as luvas, importantes caso se suspeite que um réptil possa ser venenoso.

 

Também são usados com frequência utensílios metálicos, usados para abrir a boca dos animais ou para administrar medicação directamente no estômago, ou balanças sensíveis ao grama, uma vez que importa medir o peso com detalhe.

 

As jaulas, por seu lado, têm que ter chave, porque se tiverem um mecanismo de fecho mais simples, os primatas, papagaios ou porcos conseguem perceber como abrir as portas.

 

Os esconderijos também são importantes, uma vez que alguns animais necessitam de se sentir seguros, para retomarem a alimentação.

 

Aquando da visita do P3, encontravam-se em recobro, para além do Godzilla, um esquilo e uma tartaruga. Estava estes, mas poderiam estar, também, uma tarântula, uma serpente ou uma arara. Nesta clínica, só não há espaço para cães e gatos.

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