Ricardo Salgado: "É uma vitória sobre as agências de rating"

Banqueiros satisfeitos e optimistas com regresso aos mercados. Mas "não podemos embandeirar em arco", sublinha Mira Amaral.

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Ricardo Salgado, presidente executivo do Banco Espírito Santo, considera que este regresso aos mercados da dívida soberana "é uma vitória dupla – do povo português e do Ministério das Finanças – e é, fundamentalmente, uma vitória sobre as agências de rating".

"Não nos podemos esquecer que, em 2010, fomos alvo de downgradings sucessivos das agências de notação. Na altura, manifestei-me contra essa posição. Espero que as agências tomem boa nota do que aconteceu", acrescentou o banqueiro.

O certo, sublinhou Ricardo Salgado, é que "Portugal foi capaz de ir aos mercados sem necessidade de uma revisão em alta das agências de rating".

Foi "uma óptima operação", disse, por seu lado, Fernando Ulrich, presidente do BPI. "É o princípio do regresso aos mercados e espero que seja o início da estabilização da situação económica e financeira portuguesa".

Inquirido sobre o impacto deste regresso aos mercados na população, Ulrich respondeu: "Aí, calma, é preciso esperar, não é de um dia para o outro".

Mira Amaral, do BIC, diz que esta "é uma excelente notícia" para o país e elogiou o Ministério das Finanças. "O sucesso desta operação prova que os bancos são essenciais para o financiamento da economia portuguesa e, nessa medida, esta operação ajuda a atenuar muitos dos problemas que actualmente existem".

Apesar de considerar que 2013 será um ano difícil, diz que os sinais desta operação permitem pensar que vai ocorrer um alívio das tensões. "Mas não podemos embandeirar em arco", avisa.

Vieira Monteiro, do Santander Totta, também sublinha a satisfação com que esta operação foi recebida. "Estamos todos satisfeitos porque, na prática, Portugal voltou a financiar-se nos mercados".

O banqueiro diz que esta operação traz, "pelo menos, confiança, o que é muito importante para a estabilização da actual situação".

O presidente do BCP, Nuno Amado, citado pela Lusa, afirmou que a emissão de dívida portuguesa foi, “obviamente, muito positiva”, mas salvaguardou que é preciso “continuar o processo de consolidação”.

“O relevante não é só a quantidade das ordens e a componente internacional das mesmas, mas é termos a garantia de que, no futuro, podemos fazer novas emissões”, disse. Para Nuno Amado, para garantir novas emissões, é necessário “continuar o processo de consolidação e estabilização do nível da dívida [portuguesa], sob pena de isto ser um evento sem outros eventos”, uma situação que não é desejável.

Os banqueiros estão reunidos com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, para discutir uma estratégia nacional de fomento industrial e de crédito às empresas.
 

Notícia corrigida às 12h19: Mira Amaral é do BIC (que integrou o BPN) e não do BPN