Banco Mundial prevê recessão económica na Zona Euro em 2013

Relatório do Banco Mundial corta nos números do crescimento e afirma que discussões nos EUA e desempenho económico das economias-chave do Euro são cruciais para evitar novo período de recessão.

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Ainda pairam nuvens sobre os EUA e a UE Nuno Ferreira Santos

O Banco Mundial estendeu por mais um ano as perspectivas de contracção económica na Zona Euro e reviu em baixa as estimativas de crescimento económico global para 2013, de acordo com o relatório de Perspectivas Económicas Globais, divulgado nesta quarta-feira.

Em relação às estimativas do último relatório, o Banco Mundial estima agora que a economia na Zona Euro contraia 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, face a um crescimento que havia sido estimado nos 0,7% do PIB em Junho.

O desempenho económico insatisfatório das economias-chave da Zona Euro levam o Banco Mundial a assumir reservas em relação ao futuro da região e falar num “pessimismo significativo” face ao Euro.

Em todo o caso, o Banco Mundial elogiou os avanços nas reformas estruturais dentro da Zona Euro que levaram a uma maior integração política e económica e a uma “melhoria significativa” nos mercados financeiros.

Entre o relatório divulgado nesta quarta-feira e a última edição, de Junho, foi anunciado o novo mecanismo de compra de dívida pelo Banco Central Europeu e os 27 países da União Europeia chegaram a acordo para ser erguido um sistema de supervisão bancária europeia.

Considerando as reformas dentro do Euro e o salto bem-sucedido dos EUA sobre o “precipício orçamental”, o Banco Mundial afirma que o impacto dos percalços económicos destes dois grandes polos financeiros globais estão mais contidos, e que se reduziu a exposição das economias emergentes face à quebra do desempenho económico na Europa e nos EUA.

Mas “muito mais terá que ser feito” antes de se conseguir eliminar a possibilidade de novas crises económicas à escala global, afirma o Banco Mundial.

A instituição refere-se, por exemplo, ao facto de a vitória dos EUA sobre o “precipício orçamental” ter sido incompleta. O relatório realça o debate sobre o aumento do tecto máximo para o endividamento norte-americano, que toma agora as salas do Congresso dos EUA. Segundo o Banco Mundial, existe a “ameaça de uma rotura económica séria”, que acontecerá caso o limite da dívida não seja aumentado.

Numa tabela lançada pelo Banco Mundial para a eventualidade de as principais economias da Zona Euro continuarem o caminho descendente e de a “incerteza orçamental” dos EUA não levar ao aumento do limite do tecto da dívida, as estimativas lançam a Zona Euro e os EUA para uma recessão até 2015.

Reduziu-se a exposição das economias mais pequenas aos “percalços” económicos das economias desenvolvidas não só porque também se reduziu a intensidade do envolvimento destas economias com a Europa e os EUA, mas também porque existe uma notória melhoria no clima de confiança na economia global, defende o Banco Mundial.

Uma análise que não evitou que as perspectivas para o crescimento global caíssem em relação ao último relatório de Junho. O crescimento da economia mundial deverá ficar nos 2,4% do PIB global em 2013, menos do que os 3% do PIB que foram lançados em Junho. Segundo o novo relatório, a economia mundial cresceu 2,3% em 2012.

Já o crescimento económico nos EUA para 2013 foi também cortado, dos 2,4% do PIB lançados pelo Banco Mundial em Junho para os 1,9% do PIB. O Japão viu o seu crescimento reduzido em metade: dos 2,4% do PIB estimados para 2013 para os 1,2% lançados nesta quarta-feira.

“O clima económico mundial continua frágil e propenso a mais desilusões, apesar de a balança de riscos estar mais orientada para baixo do que nos últimos anos”, lê-se no relatório do Banco Mundial, que se refere a uma maior protecção das economias emergentes.

No que toca à segunda economia mundial, o relatório do Banco Mundial afirma que a economia chinesa cresce 8,4%, um melhor resultado do que os 7,9% de PIB registados em 2012.