Abi Feijó projecta um Museu da Imagem Animada numa aldeia de Lousada

Com o apoio do programa comunitário Proder, Abi Feijó, professor, produtor e realizador de cinema de animação, está a lançar um Museu da Imagem Animada no solar de família que herdou na freguesia de Vilar do Torno e Alentém, em Lousada, projectado para abrir até ao final deste ano.

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Abi Feijó Rui Farinha

“Como não sou agricultor, nem tenho meios económicos para sustentar a casa, aventurei-me neste projecto”, justifica o autor de Os Salteadores. E explica que o museu só será viável através da parceria que estabeleceu com um casal canadiano amigo, Marcia Page, produtora do National Film Board, e Normand Roger, compositor, ambos vencedores de vários Óscares na área da animação.

Os dois canadianos irão partilhar não apenas a propriedade, mas também o projecto do museu, que assim ganhará uma dimensão internacional.

O museu irá ocupar três salas no solar centenário. Uma delas será dedicada aos trabalhos do próprio Abi Feijó e de Regina Pessoa, desde a aventura do estúdio Filmógrafo até à actividade actual da Ciclope Filmes; a segunda sala será uma galeria para mostrar os desenhos de realizadores e animadores amigos de todo o mundo; e a terceira destinada a ilustrar a história do ao pré-cinema, com várias lanternas mágicas, brinquedos ópticos e outras peças que mostrem a evolução das imagens em movimento. Para esta sala, Abi Feijó espera poder contar com a colaboração da Cinemateca Portuguesa, com o empréstimo temporário de peças da sua colecção e espólio.

“Aquilo que sobretudo me interessa é que o museu não fique estático, mas permita a interactividade, que as pessoas possam mexer nas peças, porque é isso que faz a magia da animação”, diz Abi Feijó.

O realizador-produtor-professor de animação já tem pronto o projecto – de autoria dos arquitectos Paulo Providência de Lúcia Baptista – de adaptação de parte da sua casa de Lousada para o futuro museu, que incluirá também uma recepção, espaço para workshop e ainda um estúdio para as produções da Ciclope Filmes.

O orçamento global do projecto aproxima-se dos 150 mil euros, e o apoio do Proder deverá cifrar-se – “depois de todas as retenções e impostos”, calcula Abi Feijó – em cerca de 90 mil euros. O produtor conta também com o apoio logístico da Câmara Municipal de Lousada, que deverá incluir o futuro museu no roteiro das acções de formação para os estudantes das escolas da região.