Vendas de carros caíram para o nível mais baixo em 27 anos

O mercado automóvel completou dois anos seguidos de contracção. Em 2012, venderam-se menos de 100 mil ligeiros de passageiros novos, o que não acontecia desde 1985.

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As vendas de carros caíram 37,9% no último ano Miguel Manso

Para 2012, stands, marcas e associações do sector automóvel contavam com uma forte contracção do mercado em Portugal. O agravamento da crise revelou-se ainda maior, com os ligeiros de passageiros a recuarem para as 95.290 unidades. Há 27 anos que não eram vendidos tão poucos carros novos no mercado português, o que agora acontece ao registar-se em 2012 uma quebra de 37,9% nas vendas.

Os números divulgados nesta quarta-feira pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) vêm confirmar aquilo que de mês para mês parecia cada vez mais difícil de inverter: que as vendas de ligeiros de passageiros ficariam abaixo das 100 mil unidades, um nível só registado antes da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE) e da liberalização do mercado automóvel que se seguiu.

Em Dezembro, foram comercializados 6342 ligeiros, menos 43,6% do que em Dezembro de 2011.

O mercado está em queda há 24 meses consecutivos, depois de os incentivos ao abate automóvel animarem as vendas em 2010. E se 2011 fora um ano mau para o sector, o último ano trouxe um recuo ainda mais vertiginoso, num ano de forte recessão económica, de descida dos rendimentos dos contribuintes, de diminuição do crédito ao consumo, de aumento do desemprego e de um clima de quebra da confiança dos consumidores.

A descida nas vendas é, aliás, superior ao que a própria ACAP previa para um ano de agravamento do Imposto sobre Veículos (ISV) e do Imposto Único de Circulação (IUC).

Mercado em contracção na Europa
A queda do mercado volta a ser superior à contracção do mercado esperada para o conjunto da União Europeia, onde até Novembro as vendas tinham recuado 7,6%. Portugal registava, até essa altura, a segunda maior descida, a seguir à Grécia.

Para encontrar um ano com um volume de vendas tão baixo quanto o de 2012 é preciso recuar a 1985 (93.013 carros), um ano antes de Portugal entrar na CEE e três antes da liberalização do mercado automóvel em Portugal que tornou regra a venda anual de 200 mil ligeiros de passageiros no mercado português.

O mercado automóvel em Portugal foi liberalizado em 1988, dois anos depois de Portugal entrar na CEE. Numa primeira fase, foram abolidas as restrições às importações de veículos de Estados-membros e, já nos anos 90, aos outros países. Nessa altura, o número de carros comercializados disparou, passando a ser a regra a venda anual de 200 mil ligeiros de passageiros no mercado português.

Queda na receita com imposto sobre veículos
Ao contrário do fez em relação ao ano de 2012, para o qual previa um aumento da receita fiscal com o Imposto sobre Veículos, o que não se veio a verificar, o mau momento que o sector atravessa levou o Governo a prever para este ano uma descida de 1,4% nas receitas com este imposto (para 380,1 milhões de euros). Até Novembro, mostram dados da última execução orçamental, as receitas tinham caído para 331,7 milhões de euros, uma diminuição de 43,4% em relação ao mesmo período de 2011.