Economistas assinam manifesto contra venda da TAP e ANA

Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral fazem parte do grupo de 55 signatários de um manifesto contra as privatizações.

Daniel Rocha
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Daniel Rocha

No manifesto, são apresentadas três “fortes razões” para se oporem à venda da TAP, que será decidida quinta-feira em Conselho de Ministros, e da ANA, à qual concorrem quatro investidores.

“Em primeiro lugar, trata-se de bens estratégicos para a economia portuguesa”, dizem os signatários, acrescentando que “movimentam milhões de passageiros, assegurando ligações imprescindíveis dentro do nosso território, com comunidades emigrantes no estrangeiro e com diversas regiões do mundo”.

Na missiva, assinada por um grupo de 55 pessoas (no qual se incluem Francisco Louçã, antigo coordenador do Bloco de Esquerda, e o economista João Ferreira do Amaral) salienta-se que as duas empresas são “cruciais para o maior sector exportador nacional, o turismo”, sublinhando que “perder capacidade de controlo deste sistema de acessos e exportações é um golpe na economia nacional”.

Em segundo lugar, os signatários apontam o “interesse estratégico para a República”. A venda a 100% da TAP e da ANA, como o Governo prevê nos diplomas de privatização, significa que “Portugal entrega o poder de monopólio sobre os transportes aéreos e os aeroportos a duas empresas estrangeiras, cujos interesses podem ser contrários aos do país”, escrevem

.Por último, o manifesto refere que “estas privatizações acentuam o défice e portanto a dívida pública futura” porque a TAP e a ANA “geraram em 2011 meios financeiros na ordem dos 158 e 199 milhões de euros, antes de impostos e outros compromissos financeiros”, explicam, fazendo referência aos resultados operacionais das duas empresas (e não ao seu resultado líquido, que, no caso da companhia de aviação, é negativo).

Os 55 signatários acreditam que, no futuro, as duas empresas “poderão tornar-se francamente rentáveis”, mas que, com estes dois negócios, “os meios financeiros serão perdidos pelo Estado”.“A ANA tem uma margem de 47%, sendo duvidoso que exista outro negócio como este em Portugal. E se a TAP não tivesse um forte activo em aviões, em capacidades tecnológicas e em rotas lucrativas no Brasil, na Europa e em África, não teria comprador”, referem.

A missiva termina com um pedido ao Governo: “Porque é tempo de decisões difíceis, porque a crise financeira é grave, porque não podemos perder nem desperdiçar o que temos, porque um bom negócio para alguns não pode prejudicar o que é de todos, recusamos estas privatizações e apelamos energicamente à manutenção da TAP e da ANA como empresas públicas”.

Nos últimos dias, a oposição tem-se manifestado contra a venda das duas empresas. Nesta quarta-feira, o ministro Álvaro Santos Pereira será ouvido na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, acompanhado pelo secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.