Governo quer salvar Estado social “distribuindo o mal pelas aldeias”

Passos Coelho diz que os portugueses vão perceber que o PSD está a "construir o futuro com responsabilidade e equidade".

Sacrifícios "têm de ser distribuídos de uma forma equitativa", disse Passos
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Sacrifícios "têm de ser distribuídos de uma forma equitativa", disse Passos Daniel Rocha

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, assegurou neste domingo que o Governo está empenhado em “salvar o Estado social”, defendendo ser necessário “distribuir o mal pelas aldeias”.

“Nós queremos salvar o Estado social, mas não para o fazer como os socialistas, que falam muito mas depois acabam por dar cabo das condições que nos permitissem consagrar um verdadeiro Estado social”, disse o líder social-democrata, no discurso de 45 minutos de encerramento do XIV Congresso do PSD-Madeira.

 "[O Estado social tem de ser reformado para] garantir que o dinheiro que temos chega para aqueles que mais precisam e o investimento que fazemos é reprodutivo para o futuro”, considerou Passos Coelho.

“Há pouco, tem que se distribuir o mal pelas aldeias. É preciso fazer sacríficios, eles têm de ser distribuídos de uma forma equitativa”, sublinhou. “Claro que hoje sabemos que quem mais acesso tem à televisão e quem mais vocalmente contesta o que estamos a fazer são aqueles que têm mais”, referiu.

O chefe do Governo defendeu que a crítica deve ir para aqueles que foram “acumulando privilégios e nunca acreditaram que na hora de fazer as contas também tivessem de contribuir para o resultado que o país inteiro precisa de alcançar”.

Pedro Passos Coelho realçou que “aqui não há privilégios”, salientando que “todos aqueles que têm pensões muito baixinhas, que são as pensões sociais, tiveram aumentos. Em contrapartida, os que têm acima de 7000 euros têm impostos adicionais”. “Mas não é isto social-democracia e justiça social?”, perguntou.

O primeiro-ministro argumentou que “os que têm pensões de 240 euros não fazem debates nas televisões”, sustentando ser necessário o PSD “saber ir contra a corrente e manter a firmeza”, convicto de que “no fim do dia os portugueses perceberão que se está a construir o futuro com responsabilidade e equidade”.

“Eu tenho a certeza que o desconforto causado pela crise é fortíssimo e sei que é muito difícil dentro do sistema que herdámos ser mais eficiente. Há coisas que têm de mudar mais profundamente”, frisou, mencionando ser impossível “cortar de igual por todos” na despesa.

Pedro Passos Coelho considerou que, seguindo este caminho, o PSD chegará “ao fim do mandato a saber que cumpriu e preparou o futuro”, mas admitiu que “daqui até lá haverá muitas incompreensões”. E concluiu: “Não sei se no fim o reconhecimento será melhor que a incompreensão, mas sei que fizemos de acordo com a nossa consciência e de acordo com aquilo que é a nossa filosofia política para ser justos e progressistas.”