Pais querem chegar às famílias das crianças com fome

Secretário de Estado da Solidariedade terá garantido acompanhamento de todos casos que venham a ser sinalizados nas escolas.

O apelo aos pais e directores partiu da Confederação Nacional das Associações de Pais
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O apelo aos pais e directores partiu da Confederação Nacional das Associações de Pais Adriano Miranda

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, apelou esta sexta-feira aos seus associados e aos directores das escolas para que contactem de forma institucional o Instituto de Segurança Social ou as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens sempre que se apercebam de que um aluno tem fome, "para que também a família seja apoiada”.

Segundo Albino Almeida, o apelo foi concertado com o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Costa, que lhe garantiu “que todos os casos sinalizados merecerão a atenção e o acompanhamento devidos". Isto, explica, "de forma a erradicar a fome dos alunos, mas também a prover apoios indispensáveis à sustentabilidade da própria família”.

Albino Almeida disse ter contactado o governante na sequência da informação que circulou na Internet sobre um jovem que teria desmaiado com fome, numa escola de Lisboa. A professora que relatou o caso – e que viu a mensagem espalhar-se, de forma viral, no Facebook e nos blogues – escusou-se a dar mais informações à imprensa. O dirigente da Confap frisa, no entanto, que “pouco importa se esse caso concreto aconteceu ou não, em que circunstâncias e em que lugar”.

“Ninguém duvida de que as famílias atravessam momentos muito difíceis e há relatos de professores, principalmente de Educação Física, que durante as aulas se apercebem do estado de fraqueza de alunos que não se estarão a alimentar correctamente”, comentou.

Na sua perspectiva, “a ajuda das associações de pais, dos professores e dos directores – que de forma generosa mas isolada garantem vestuário, alimentação e outro tipo de apoios a algumas crianças – é insuficiente”. “Elas são a parte visível de uma família que precisa de ser apoiada”, considera.  

Num comunicado hoje divulgado, a direcção da Confap recorda que desde 2010 que vem reclamando “a revisão dos apoios sociais às famílias portuguesas, de modo a permitir-lhes um nível de vida condigno.”