Julgamento do homicídio de Carlos Castro

Psiquiatra sem dúvidas sobre perfil “maníaco” de Renato Seabra

Roger Harris, psiquiatra chamado pela defesa de Renato Seabra para depor no julgamento do homicídio de Carlos Castro em Nova Iorque, defendeu esta quinta-feira que os diagnósticos médicos feitos ao jovem apontam "esmagadoramente" para problemas maníacos.

Pelo segundo dia consecutivo, o réu esteve ausente da sala de audiências, numa sessão em que o especialista em psiquiatria forense foi duramente crítico da anterior testemunha, o neuropsicólogo William Barr, chamado pela acusação, que defendeu em tribunal que Seabra teve consciência dos seus actos e fingiu sintomas de loucura. O advogado de Seabra, David Touger, voltou a pedir a escusa do jovem da sala de audiências, alegando a sua incapacidade para se controlar na sala de tribunal, perante os jurados do caso.

Harris defendeu em tribunal que a doença psiquiátrica de Seabra "claramente o deixou incapaz de perceber o erro das suas acções" a 7 de Janeiro de 2011, quando matou e mutilou durante horas o colunista social Carlos Castro, com quem passava férias em Nova Iorque e mantinha uma relação íntima.

"Deve haver [diagnósticos de] 20 clínicos naquela pilha de documentos que estão esmagadoramente de acordo em relação a Seabra e ao que há de errado com ele, num período de horas a semanas depois do crime", disse Harris.

O psiquiatra, que avaliou individualmente Seabra em meados de 2011, apontava para um enorme volume de papéis onde estão os diagnósticos das duas unidades em que Seabra foi observado logo após o crime. A opinião prevalecente, entre os que o viram nos momentos e horas depois do crime, é de que cumpria "todos os critérios de um episódio maníaco".

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram Seabra em três unidades psiquiátricas, Harris afirmou que na altura do crime o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco individual e desordem bipolar com características psicóticas graves" e, como tal, não deve ser considerado culpado. Aponta ainda para a natureza brutal das agressões, incluindo mutilações genitais da vítima, como prova de que Seabra estava sob efeito de uma psicose, tal como o relato de ter obedecido a "vozes" dentro da sua cabeça durante o crime.

O neuropsicólogo William Barr admitiu no seu depoimento que Seabra possa ter estado psicótico depois do crime, mas defendeu que sobretudo fingiu sintomas para fugir à sua responsabilidade criminal. Harris contrapôs hoje que os registos hospitalares logo após o crime o dão como "maníaco, paranóico, delirante", e por isso rapidamente é medicado e involuntariamente internado.

"Não há absolutamente nenhuma indicação de simulação, fingimento de sintomas ou exagero", disse Harris, que qualificou mesmo de "muito tonta" a afirmação de Barr de que o pessoal médico não se preocupa com detectar simulações. "O cenário clínico que Seabra apresenta, a maneira como age, como fala, como a sua mente funciona, são tão claros, o sinal é tão audível, que é difícil entender como alguém pode resistir ao diagnóstico de maníaco", acrescentou.