Presidente da PT diz que Europa é dirigida por “bando de patetas”

O presidente do Grupo PT, Henrique Granadeiro, disse hoje, em Santarém, que a Europa não tem sabido ser solidária e que está paralisada porque tem sido dirigida por um “bando de patetas”, pedindo a Portugal “voz grossa”.

Henrique Granadeiro foi o convidado do semanário regional ‘O Mirante’ para falar sobre o futuro da Europa, numa sessão com estudantes da Escola Superior de Gestão e Tecnologias de Santarém, promovida no âmbito das comemorações dos 25 anos do jornal.

“Não sabemos neste momento qual é o desígnio da Europa”, afirmou, lamentando que, ao invés das receadas duas velocidades, se verifiquem hoje “muitas velocidades” e que, ao contrário de um directório, a Europa esteja a ser comandada “por uma senhora que decide as agendas sozinha”, na véspera dos conselhos.

Henrique Granadeiro apelou a que a Alemanha, que já esteve na origem de duas guerras mundiais, “não ceda à tentação da vaidade e do domínio para fazer mais uma patifaria à Europa”.

Questionado por um jovem sobre se Portugal deveria sair da União Europeia, o presidente da PT afirmou que a adesão à UE permitiu um grande desenvolvimento do país, lamentando apenas que não tenha correspondido à expectativa de um espaço solidário.

Henrique Granadeiro referiu o facto de, com a criação do euro, os Estados terem prescindido das suas políticas monetárias e cambiais [que lhes permitiriam agir em situações de crise como a que Portugal atravessa] sem que a UE adoptasse “modelos de gestão para fazer face a uma assimetria como a que se veio a verificar”.

Deu como exemplo a criação do dólar nos Estados Unidos da América, que demorou 30 anos a impor-se, para dizer que os problemas com a criação de moedas são naturais.

“O que não é natural é a paralisia”, disse, sublinhando que nos Estados Unidos também há assimetrias entre Estados, mas que, em situação de crise, “há solidariedade”.

“É preciso que a Europa “devolva em medidas de gestão do euro o que nós transferimos em política monetária e cambial”, defendeu, destacando: “Temos que resolver os nossos problemas, mas não resolvemos sem a Europa resolver [a sua própria crise] e não é por esta via”.

Henrique Granadeiro apelou às autoridades portugueses para não serem “tão dóceis” e para fazerem “voz grossa e não suplicante, porque ninguém vai ter pena” de Portugal.

Questionado sobre se os ‘eurobonds’ seriam uma solução para a crise da dívida europeia, o presidente do Grupo PT considerou que esse pode ser “um dos caminhos”, mas não a curto prazo.

Henrique Granadeiro lembrou que, aquando da unificação alemã, foram os europeus no seu conjunto que financiaram a reestruturação da dívida daquele país, que beneficiou de um perdão, de um escalonamento a 30 anos e de taxas de juro baixas.

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